Banco Central resiste a prorrogar prazo para BRB cobrir rombo gerado por créditos falsos do Master

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O Banco Central (BC) sinalizou, nos bastidores, que não pretende conceder mais tempo ao Banco de Brasília (BRB) para apresentar uma solução capaz de cobrir o prejuízo provocado pela compra de créditos fraudulentos do Banco Master.

Pelo cronograma em vigor, o BRB deve divulgar até 31 de março o balanço de 2025 já acompanhado de um plano de capitalização. A instituição, porém, tem enfrentado dificuldades para cumprir a data e discute um adiamento, movimento recebido sem entusiasmo pela autoridade monetária.

Déficit bilionário

Investigações apontam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos sem lastro. Após recuperações parciais, a necessidade de provisão é estimada hoje em R$ 8,8 bilhões. Auditoria forense independente, contratada pelo próprio banco, elevou a conta ao identificar R$ 13,3 bilhões em carteiras com indícios de irregularidade.

Pressão sobre o Distrito Federal

O governo do Distrito Federal, controlador do BRB, é cobrado pelo BC a envolver-se mais ativamente no socorro. A tensão aumentou depois do cancelamento da assembleia extraordinária de acionistas, marcada para esta quarta-feira (18).

Segundo fontes que acompanham as negociações, o pedido formal de extensão de prazo ainda não chegou à diretoria do BC. Técnicos alertam, contudo, que a falta de demonstrações financeiras há sete meses já afeta a confiança no banco.

Injeção de capital emperrada

O presidente do BRB, Nelson Souza, prometera apresentar o balanço acompanhado de uma solução de capitalização. Bancos que avaliavam participar do socorro recuaram após dificuldades do governador Ibaneis Rocha (MDB) em assegurar recursos.

Na semana passada, Ibaneis sancionou lei que autoriza o DF a:

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Imagem: redir.folha.com.br

  • Contratar até R$ 6,6 bilhões em financiamentos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou a outras instituições;
  • Dispor de nove imóveis estaduais para venda, garantia de empréstimos ou estruturação de fundos de investimento.

Medidas de supervisão no radar

Se o BRB não apresentar solução dentro do prazo, o BC pode adotar mecanismos como:

  • Regime de Administração Especial Temporária (Raet) – mantém operações, mas afasta a diretoria;
  • Intervenção – suspensão temporária das atividades por até 12 meses;
  • Liquidação extrajudicial – encerramento definitivo, com saída ordenada do sistema financeiro.

A possibilidade de Raet já era considerada em fevereiro, quando Ibaneis resistia a firmar compromisso de capitalização. O governador só assinou o termo após ser informado de que, em caso de intervenção, poderia ter bens bloqueados.

Imbróglio jurídico com imóveis

Os nove imóveis listados como garantia enfrentam disputas na Justiça. Liminares que ora barram, ora liberam o uso dos bens esfriaram o interesse de investidores pelo fundo imobiliário planejado para levantar recursos rapidamente. Sem segurança jurídica, interlocutores próximos reconhecem que será difícil atrair aportes a tempo de estabilizar o banco.

O BC, por enquanto, mantém o cronograma original e aguarda que o BRB apresente, até o fim do mês, um plano viável para cobrir o rombo bilionário e normalizar a divulgação de seus demonstrativos financeiros.

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