São Francisco, 25 de abril de 2024 – O gestor de hedge fund Bill Ackman criticou publicamente a proposta de imposto sobre grandes fortunas que pode ser levada a voto na Califórnia, classificando a medida como “expropriação de propriedade privada”.
A iniciativa prevê uma cobrança única de 5% sobre os bens de residentes com patrimônio acima de US$ 1 bilhão. Caso seja aprovada, será aplicada retroativamente a todas as pessoas que moravam no estado em 1.º de janeiro de 2026, com pagamento dividido em até cinco anos.
Em publicação na rede social X no início da semana, Ackman afirmou que impostos desse tipo “falharam em todos os países onde foram tentados” e provocam “consequências não intencionais e negativas”. O bilionário, que não reside na Califórnia, disse ainda que o problema orçamentário estadual “não é falta de receita, mas sim a forma como o dinheiro é gasto”.
O estado projeta déficit de US$ 18 bilhões para o ano fiscal de 2026-2027, segundo o Escritório de Análise Legislativa da Califórnia.
Ackman alertou para a possibilidade de empresários de tecnologia deixarem a região caso o imposto avance. Reportagem do New York Times indicou que Peter Thiel e Larry Page avaliam romper vínculos com a Califórnia diante da proposta.
“Hollywood já acabou e agora os empreendedores mais produtivos irão embora, levando suas receitas tributárias e criação de empregos”, escreveu o investidor.
O governador Gavin Newsom declarou, em março, ser contrário ao tributo sobre bilionários e pediu cautela antes de qualquer “pânico” sobre o tema.
Imagem: Michael Dorgan FOXBusiness via foxbusiness.com
Defensores do imposto afirmam que a arrecadação poderia compensar eventuais cortes federais em saúde. A proposta conta com apoio do sindicato Service Employees International Union-United Healthcare Workers West.
Ackman declarou que apoiaria uma mudança mais restrita no código tributário, voltada a bilionários que financiam seu estilo de vida por meio de empréstimos lastreados em ações. Para ele, empréstimos pessoais acima do valor originalmente investido deveriam ser tributados como se os papéis tivessem sido vendidos, fechando o que considera uma brecha usada “para viver como bilionário sem pagar imposto”.
O também bilionário Mark Cuban repostou a mensagem de Ackman e escreveu apenas: “Concordo”.
A proposta segue em análise para possível inclusão na cédula estadual de novembro.