O assessor de investimentos Michael Viriato avaliou que o Bitcoin não vem desempenhando o papel de “novo ouro” atribuído por parte do mercado. Em artigo publicado em seu blog “De Grão em Grão”, o especialista observou que, nos últimos anos — especialmente nos 12 meses mais recentes —, a principal criptomoeda apresentou correlação maior com índices acionários, como Nasdaq e S&P 500, do que com metais preciosos.
Segundo Viriato, a análise de janelas móveis de seis meses revela que a correlação entre os retornos semanais do Bitcoin e os de ouro ou prata é instável e frequentemente baixa, chegando a se aproximar de zero ou ficar negativa em períodos de maior incerteza, quando o ativo deveria funcionar como proteção.
O estudo mostra ainda que a relação positiva e recorrente com os principais índices de ações indica sensibilidade da criptomoeda ao apetite por risco, à liquidez global e às expectativas de crescimento econômico — características associadas ao mercado acionário, e não a reservas de valor defensivas.
Para o colunista, a percepção de que o Bitcoin seria um ativo de refúgio ganhou força porque seu boom coincidiu com um ciclo de juros baixos e políticas monetárias expansionistas, contexto que também favoreceu as bolsas. Viriato destaca que, enquanto os metais preciosos cumpriram seu papel de proteção em várias fases recentes, a criptomoeda registrou oscilações alinhadas às variações das ações.
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O assessor lembra que o Bitcoin ainda é um ativo jovem e pode assumir outras funções no futuro, mas afirma que, até o momento, os dados não sustentam a comparação com o ouro. Ele alerta que o principal risco para o investidor está em comprar o ativo com expectativas de defesa e encontrar, na prática, a mesma volatilidade observada nos mercados de risco.
Michael Viriato é sócio fundador da Casa do Investidor e assina a coluna “De Grão em Grão”.