O Bitcoin (BTC) retomou a correlação positiva com o índice S&P 500 e, segundo dados históricos, esse movimento costuma anteceder recuos expressivos no preço da criptomoeda.
Dados do TradingView mostram que, no sábado (13), a correlação móvel de 20 semanas entre BTC e S&P 500 atingiu 0,13, depois de ter caído para cerca de -0,5. Desde 2018, recuperações bruscas desse indicador foram seguidas por desvalorizações médias de aproximadamente 50% no Bitcoin.
Com o BTC cotado perto de US$ 68.700 no domingo (14), queda semanal de 5,65%, uma correção de 50% levaria o ativo à faixa de US$ 34.350. O S&P 500 encerrou a mesma semana com recuo de 1,90%.
O analista Tony Severino afirmou que a inversão da correlação sinaliza possível queda simultânea do mercado acionário dos EUA e do Bitcoin. Outros especialistas estimam que o preço da criptomoeda possa recuar para algo entre US$ 30.000 e US$ 40.000 em 2026.
Episódios semelhantes ocorreram em 2020 e 2022, quando o BTC subiu junto com as ações, formou um bull trap e, meses depois, devolveu ganhos substanciais.
Fatores como petróleo caro, inflação elevada e perspectivas reduzidas de cortes de juros pelo Federal Reserve reforçam o cenário desfavorável para ativos considerados de risco, como criptomoedas e ações.
Imagem: Trader Iniciante 2 (9)
A renovação da correlação também coincide com uma pausa na estratégia de acumulação da MicroStrategy (MSTR), uma das maiores detentoras corporativas de Bitcoin. Segundo o portal STRC.LIVE, a companhia não utilizou, nesta semana, recursos provenientes da emissão de ações preferenciais STRC para adquirir novos BTC.
O último aporte, anunciado em 16 de março, somou 22.337 BTC avaliados em US$ 1,57 bilhão, elevando o total detido pela empresa para 761.068 BTC. Naquele período, a criptomoeda subiu cerca de 10,5% durante a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Sem novas compras corporativas significativas e diante da maior sincronia com o mercado acionário, o Bitcoin fica mais exposto a possíveis ondas de vendas nas bolsas norte-americanas.