Bitcoin recua após novas tarifas nos EUA e analistas veem risco de preço mais baixo em dois anos

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São Paulo, 23 jan. (InfoMoney) — O Bitcoin (BTC) voltou a registrar forte volatilidade nesta segunda-feira (23). Durante a madrugada, a criptomoeda caiu mais de 5%, tocando US$ 64.270, antes de recuperar parte das perdas e ser negociada em torno de US$ 66.300 no fim da manhã.

O movimento ocorre em meio à reabertura das incertezas comerciais nos Estados Unidos e ao aumento das tensões no Oriente Médio, envolvendo o Irã. O comportamento do BTC acompanhou a oscilação dos futuros do S&P 500, enquanto o ouro superou a marca de US$ 5.100, em busca de proteção.

Tarifas norte-americanas elevam cautela

A turbulência ganhou força depois de a Suprema Corte dos EUA derrubar as chamadas tarifas recíprocas impostas em 2023 pelo ex-presidente Donald Trump. Horas mais tarde, o atual presidente anunciou novas tarifas globais de até 15% pelo prazo de 150 dias, intensificando o clima de incerteza.

Derivativos apontam proteção e possível queda

No mercado de opções, traders aumentaram apostas defensivas. Desde sexta-feira, contratos de venda com preços de exercício em US$ 58.000, US$ 60.000 e US$ 62.000 registraram forte alta em posições abertas na plataforma Deribit, sinalizando busca por seguro contra recuos adicionais.

Dados de blockchain também mostraram a transferência de grandes volumes de BTC por um investidor de porte para uma exchange no fim de semana, fato que alimentou especulações de venda e ampliou a volatilidade.

Altcoins sentem impacto maior

Criptomoedas menores, como Solana (SOL) e Sui (SUI), recuaram entre 7% e 8% antes de se recuperarem parcialmente. Segundo a CoinGlass, aproximadamente US$ 270 milhões foram liquidados em posições de altcoins entre sábado e domingo.

Análises de suporte e resistência

Para Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, o cenário evidencia aversão ao risco. Ele observa que o ativo perdeu o suporte de US$ 66.700 e, se a pressão persistir, pode buscar a região de US$ 61.000, mínima não vista desde outubro de 2024.

A analista técnica Ana de Mattos avalia que o sentimento de medo extremo pode levar o preço a testar zonas de liquidez em US$ 60.000 e US$ 53.000 — patamar mais baixo desde fevereiro de 2024. Em caso de recuperação, ela identifica resistências em US$ 72.000 e US$ 75.500.

Saídas em ETFs e nova compra corporativa

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin registraram na última semana a quinta sequência de resgates líquidos, somando US$ 315 milhões, apesar de uma entrada pontual de US$ 88 milhões na sexta-feira. As compras seguem irregulares, sem tendência clara de demanda.

Paralelamente, a Strategy — maior companhia de capital aberto com reservas em BTC — informou ter adquirido 592 moedas na semana passada por US$ 39,8 milhões, a preço médio de US$ 67.286. Com isso, a empresa detém 717.722 BTC, comprados por US$ 54,56 bilhões, a preço médio de US$ 76.020 cada.

Com o Bitcoin ao redor de US$ 66.000, a posição representa perda não realizada de cerca de US$ 10.000 por unidade, ou aproximadamente US$ 7 bilhões. As ações da companhia recuavam 2,33% às 10h40, acumulando queda de quase 55% em 12 meses.

Próximos catalisadores

Além das questões tarifárias, investidores acompanham a temporada de balanços corporativos — com destaque para a divulgação dos resultados da Nvidia na quarta-feira — e a evolução do preço do petróleo diante do risco de escalada militar no Oriente Médio.

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