O Bitcoin (BTC) entrou em fevereiro sem recuperar fôlego depois de encerrar janeiro cotado a US$ 78.500, queda superior a 10% no mês e a quarta retração consecutiva — a pior série desde o bear market de 2018-2019, quando o ativo caiu por seis meses seguidos.
A pressão se intensificou na última semana de janeiro, logo após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. O nome levou o mercado a rever projeções sobre juros e liquidez, movimento que atingiu inclusive ativos tradicionalmente defensivos. Na sexta-feira, 30 de janeiro, a prata desabou 26%, maior recuo já registrado, enquanto o ouro caiu 9%, pior tombo em mais de dez anos. O próprio ouro, que vinha de várias sessões positivas, devolveu 11% só naquele dia.
Para Karim Nabil, analista da gestora suíça 21Shares, o momento revela diferenças de função entre os dois ativos. “A desdolarização aparece primeiro no ouro porque o choque dominante agora é geopolítico e fiscal. Em crises, o capital corre primeiro para o metal”, disse. Segundo ele, o ouro carrega uma percepção de segurança construída ao longo de séculos, enquanto o Bitcoin ainda reage como ativo de risco quando a incerteza aumenta.
Yoandris Rives Rodríguez, gerente regional da B2BINPAY para a América Latina, concorda. “O problema não é o preço, mas a percepção: ouro e prata são vistos como portos seguros; o Bitcoin, não”, afirmou. Na visão do executivo, a criptomoeda tende a subir novamente quando o apetite por risco retornar, algo que depende de juros mais baixos e maior liquidez global.
A ideia de que a alta do ouro possa antecipar movimento semelhante no Bitcoin também é contestada. David Duong, chefe global de research da Coinbase, afirma não haver evidência estatística consistente de rotação automática entre os dois mercados. Já a investidora Cathie Wood lembra que, desde o início de 2020, a correlação entre os preços de Bitcoin e ouro é de apenas 0,14, considerada muito baixa.
Imagem: infomoney.com.br
Relatórios institucionais destacam que os fundamentos de longo prazo do Bitcoin permanecem intactos, mas o desempenho no curto prazo segue atrelado ao cenário macro. Entre os fatores citados como potenciais gatilhos de recuperação estão:
A ChinaAMC, gestora chinesa com mais de US$ 275 bilhões sob administração, reforça que a criptomoeda é sensível a choques de liquidez, mas tende a se beneficiar quando políticas monetárias mais acomodatícias voltarem ao centro do debate. A expectativa agora se volta para a postura que Warsh adotará à frente do Fed.
Nas primeiras horas de 1º de fevereiro, o Bitcoin seguia recuando. Às 9h (horário de Brasília), era negociado a US$ 76.980, baixa de 5,3% em 24 horas e de 13,2% nos últimos sete dias.