O Bradesco (BBDC4) iniciou 2026 sob escrutínio do mercado. Depois de um rali de cerca de 70% em 2025 — e avanço adicional de 16% neste começo de ano — o banco divulgou resultados fortes, mas apresentou projeções consideradas modestas, o que derrubou o humor dos investidores.
No quarto trimestre, o lucro recorrente atingiu R$ 6,5 bilhões, aumento de 20,6% ante igual período de 2024 e ligeiramente acima do consenso Bloomberg, de R$ 6,3 bilhões. No acumulado do ano, o ganho somou R$ 24 bilhões, avanço de 28%. O retorno sobre o patrimônio (ROE) chegou a 15,2%, superando o custo de capital estimado em 15%.
A margem financeira com clientes (NII) foi o principal vetor de expansão, alcançando recorde de R$ 18,7 bilhões, 16% acima do trimestre anterior. O desempenho refletiu melhor mix de crédito, redução no custo de captação e maior número de dias úteis.
Analistas da XP destacaram estabilidade na inadimplência (NPL) e melhora na carteira renegociada. As provisões para devedores duvidosos cresceram 20,5% em 12 meses, chegando a R$ 10 bilhões, movimento visto como prudente diante do cenário macro ainda desafiador.
A carteira de crédito expandida totalizou R$ 1,09 trilhão, com maior participação de pessoa física e pequenas e médias empresas. Já a seguradora do grupo contribuiu com lucro recorrente de R$ 2,8 bilhões em 2025, avanço anual de 10,6% e ROAE de 24,3%.
Para 2026, o Bradesco projeta crescimento de receita de até 10,5% e indica trajetória gradual de rentabilidade. O Safra calcula que o guidance implica lucro entre R$ 28 bilhões e R$ 28,5 bilhões, abaixo das expectativas de parte do mercado. O JPMorgan reduziu sua previsão de lucro para o ano de R$ 28,2 bilhões para R$ 27,5 bilhões.
Imagem: Renan Dantas via moneytimes.com.br
Segundo o BTG Pactual, embora a recuperação seja clara, o ritmo pode frustrar após a forte valorização dos papéis. O banco negocia a 1,3 vez o valor patrimonial, enquanto o ROE de 15,2% sugere espaço limitado para rerating adicional.
• Safra: reiterou compra, mas prevê reação negativa de curto prazo.
• BTG Pactual: mantém preferência por Itaú, única compra na cobertura.
• Genial: vê espaço para o Bradesco superar o guidance, citando avanço acelerado no programa de reestruturação.
O CEO Marcelo Noronha afirmou que o banco pretende cumprir a metade superior das metas apresentadas, confiando no controle de risco de crédito e na continuidade do ganho de eficiência.