Brasil ainda busca estratégia para aproveitar reservas de minerais críticos, diz Rafael Benke

Mercado Financeiroagora mesmo6 Visualizações

O executivo Rafael Benke, fundador da consultoria Proactiva Results e ex-diretor internacional da Vale, afirmou que o Brasil corre contra o tempo para desenvolver uma cadeia doméstica de minerais críticos, apesar de possuir cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras. A avaliação foi feita após sua participação na PDAC 2026, uma das maiores conferências globais do setor de recursos naturais, realizada em Toronto.

Evento canadense destaca lacunas brasileiras

A PDAC, que neste ano reuniu em torno de 30 mil participantes, 1.300 expositores e delegações de mais de 120 países, contou com dezenas de empresas e investidores brasileiros. Entretanto, segundo Benke, novamente não houve presença de integrantes do governo federal em nível ministerial.

No encontro, foram debatidos temas como minerais estratégicos, transição energética, financiamento responsável, inovação tecnológica e padrões de sustentabilidade. Para Benke, o debate evidenciou a distância entre o potencial geológico brasileiro e a capacidade nacional de processamento e agregação de valor.

Obstáculos locais

Entre os entraves apontados estão a ausência de refinarias, o alto custo de processamento, a dependência tecnológica para separação e purificação de minerais e um ambiente regulatório considerado complexo. Sem superar esses gargalos, o país corre o risco de se manter como exportador de matérias-primas, avaliou o executivo.

Exemplo canadense

Benke comparou a situação brasileira com a da província de Saskatchewan, no Canadá. Lá, o Saskatchewan Research Council (SRC), organização parcialmente subsidiada pelo governo provincial, criou em 2020 uma divisão dedicada a terras raras com seis profissionais. Até o fim de 2026, o número deve alcançar cerca de 250 especialistas, após investimentos em pesquisa, desenvolvimento e demonstração tecnológica.

Para o executivo, a experiência canadense demonstra como coordenação institucional e visão de longo prazo podem transformar minerais críticos em ferramenta de política industrial e de posicionamento geopolítico.

Brasil ainda busca estratégia para aproveitar reservas de minerais críticos, diz Rafael Benke - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

Potencial semelhante ao agronegócio

Benke lembrou que o Brasil já obteve sucesso parecido no agronegócio, setor que se tornou competitivo graças a décadas de pesquisa e inovação, impulsionadas pela criação da Embrapa e parcerias internacionais. Segundo ele, o mesmo nível de articulação ainda não foi alcançado na mineração.

Oportunidades em meio à reconfiguração global

A atual reorganização das cadeias de abastecimento, motivada por tensões geopolíticas, amplia a demanda por minerais estratégicos e pode abrir espaço para alianças tecnológicas entre Brasil e países como o Canadá, afirmou o especialista. Entretanto, ele ressalta que o avanço depende de políticas públicas consistentes, formação de fornecedores e maior integração entre setor privado, academia e Estado.

“O desafio não está na geologia, mas na decisão estratégica do país”, concluiu Benke.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...

Todos os campos são obrigatórios.