Rio de Janeiro – O Brasil registrou quase 4,2 milhões de empregadores no trimestre encerrado em novembro de 2025, segundo a Pnad Contínua do IBGE. O total é 5,5% inferior ao pico da série, de 4,4 milhões, alcançado no período até dezembro de 2018, o que representa 241 mil empregadores a menos.
Enquanto o contingente de empregadores ainda não recuperou o patamar pré-pandemia, categorias como trabalhadores por conta própria, empregados do setor privado e servidores públicos vêm renovando recordes. No mesmo trimestre, o país somou aproximadamente 53 milhões de empregados no setor privado, 13,1 milhões no serviço público e 26 milhões de autônomos.
O professor da UFRGS Marcelo Portugal avalia que o fechamento de empresas, sobretudo pequenas, durante as restrições sanitárias levou a uma maior concentração econômica em companhias de maior porte. Ele destaca ainda o crescimento do trabalho individual, favorecido pela tecnologia e pela pulverização de contratos sem vínculo empregatício.
Para Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre, a saída da pandemia coincidiu com juros elevados e outras condições macroeconômicas adversas, o que dificultou a retomada dos empregadores. Segundo ele, muitos ex-empresários optaram por atuar como MEI ou buscar vagas no setor privado e no serviço público, considerados caminhos menos arriscados.
Estudo do FGV Ibre com dados do segundo trimestre de 2025 indica que os empregadores tinham, em média, 46 anos de idade e 12,6 anos de escolaridade, ante 44 anos e 10,5 anos dos trabalhadores por conta própria, o que reforça a tendência de migração para ocupações com menor exposição a riscos após a crise sanitária.
Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, aponta que os custos para instalar e manter negócios com funcionários ainda são elevados, especialmente em um ambiente de juros altos. Ele avalia que a reforma tributária pode impulsionar novos empreendimentos, mas apenas depois da regulamentação completa, prevista até 2033.
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Os trabalhadores domésticos também permanecem abaixo da máxima histórica. No trimestre até novembro de 2025, eram quase 5,6 milhões, 9,3% a menos que o recorde de 6,1 milhões anotado até dezembro de 2017. Economistas atribuem essa queda ao aumento da escolaridade, que abre portas para outras ocupações, e ao hábito, adquirido na pandemia, de realizar tarefas do lar sem ajuda externa.
Entre os trabalhadores familiares auxiliares – que atuam sem remuneração em negócios de parentes, sobretudo na agricultura – o contingente ficou abaixo de 1,2 milhão, o menor desde o início da série em 2012. O recorde, de 2,9 milhões, foi registrado até junho daquele ano. Especialistas relacionam o recuo ao avanço de grandes produtores rurais e à redução da mão de obra em pequenas propriedades.
A taxa de desemprego medida pela Pnad atingiu 5,2% no trimestre até novembro, a menor da série. Analistas projetam manutenção de um mercado de trabalho aquecido, ao menos no primeiro semestre de 2026, impulsionado também por contratações temporárias típicas do período pré-eleitoral.