Os contratos do petróleo Brent, referência internacional da commodity, abriram em forte alta na noite deste domingo (15), sustentados pelas dúvidas sobre a navegação no estreito de Hormuz e pela falta de consenso entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.
No início das negociações, o barril avançou até 3,3%, superando US$ 106. Por volta de 20h30, os ganhos foram reduzidos para cerca de 1,5%, com o barril cotado acima de US$ 104.
O Brent ultrapassou a marca de US$ 100 na última quinta-feira (12) e encerrou a sexta-feira (13) a US$ 103,82. Desde o começo da guerra, os preços acumulam alta próxima de 40%, enquanto as principais Bolsas globais recuaram em torno de 5%.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou no sábado (14) que o estreito está aberto a todos os navios, exceto aos aliados dos Estados Unidos. Segundo ele, embarcações de outras nações continuam atravessando a rota, mas podem optar por desviar por razões de segurança.
Em Washington, autoridades afirmaram neste domingo que o conflito deve terminar em poucas semanas e que, após o cessar-fogo, os custos de energia devem recuar. Apesar disso, o presidente Donald Trump ameaçou novos ataques ao principal terminal de exportação de petróleo do Irã, a ilha de Kharg, e disse não estar pronto para um acordo.
O estreito de Hormuz, corredor marítimo entre Irã e Omã, responde por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Dados da consultoria Lloyd’s List Intelligence mostram que menos de 80 navios cruzaram a passagem desde o início da guerra, ante 1.229 no mesmo período do ano passado, uma queda de 93,7%.
Imagem: Teerã via redir.folha.com.br
O governo norte-americano deve anunciar nesta semana uma coalizão internacional para escoltar embarcações na região, ainda sem data definida para o início das operações. Trump solicitou a participação de China, França, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul.
Para atenuar o choque de oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) informou que liberará 411,9 milhões de barris de reservas emergenciais: 271,7 milhões dos estoques governamentais, 116,6 milhões de estoques obrigatórios do setor e 23,6 milhões de outras fontes. Do total, 72% serão petróleo bruto e 28% derivados.
Os volumes armazenados na Ásia e Oceania estarão disponíveis de imediato; os da Europa e das Américas, no fim de março. Analistas veem a medida como insuficiente: o montante equivale a quatro dias da produção global e 16 dias do fluxo que normalmente passa pelo golfo Pérsico.
Na semana anterior, o Brent chegou a tocar US$ 120, maior nível em quatro anos, recuou para US$ 90 e se estabilizou acima de US$ 100 na sexta-feira. Especialistas do setor estimam que o preço continue pressionado enquanto o conflito se prolongar.