Calor gerado por mineração de Bitcoin passa a aquecer estufas em projeto piloto no Canadá

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Manitoba (Canadá) – Um projeto piloto iniciado na província canadense de Manitoba está testando o reaproveitamento do calor produzido por operações de mineração de Bitcoin para reduzir os custos de aquecimento de estufas agrícolas.

Quem participa

A iniciativa reúne a fabricante de equipamentos e operadora de mineração Canaan e a empresa de infraestrutura sustentável Bitforest Investment.

O que está sendo feito

O experimento utiliza aproximadamente 3 megawatts (MW) de capacidade de mineração, distribuídos em cerca de 360 servidores líquidos da série Avalon, conectados a um sistema fechado de troca de calor. A água aquecida pelos equipamentos é direcionada à estrutura hidráulica das estufas, pré-aquecendo o líquido que normalmente seria aquecido por caldeiras convencionais.

Quando e por quanto tempo

O projeto foi concebido como uma prova de conceito de 24 meses, período em que serão coletados dados sobre eficiência térmica, confiabilidade dos equipamentos e economia de custos.

Por que isso importa

Em regiões frias, estufas precisam de calor constante para cultivo durante o ano todo. Ao aproveitar a energia térmica gerada pela mineração de Bitcoin, o modelo busca:

  • Reduzir o consumo de combustíveis fósseis pelas estufas;
  • Diminuir as despesas operacionais de agricultores e mineradores;
  • Melhorar a eficiência energética do processo de mineração.

Como funciona

Equipamentos de mineração realizam cálculos contínuos para validar transações do Bitcoin, processo que libera grande quantidade de calor. O uso de refrigeração líquida permite capturar essa energia em temperatura mais alta e estável do que os sistemas de ar, tornando-a adequada para aplicações industriais, como aquecimento de água.

Possíveis benefícios complementares

Para os operadores das estufas, o aquecimento representa uma parcela significativa dos custos. Para os mineradores, a recuperação de calor pode tornar viáveis locais onde o preço da eletricidade é competitivo e a demanda térmica é constante.

Calor gerado por mineração de Bitcoin passa a aquecer estufas em projeto piloto no Canadá - Imagem do artigo original

Imagem: cointelegraph.com

Contexto global

O aproveitamento de calor residual de centros de dados já é adotado em outros lugares:

  • Finlândia e Suécia utilizam calor de data centers para aquecer bairros inteiros por meio de redes municipais.
  • Na França, piscinas públicas passaram a ser aquecidas parcialmente com calor de servidores instalados nas proximidades.

Limitações e desafios

Especialistas apontam obstáculos para a expansão do modelo:

  • Investimento inicial elevado em sistemas de resfriamento líquido e trocadores de calor;
  • Necessidade de proximidade entre a instalação de mineração e quem aproveita o calor, já que longas distâncias provocam perdas térmicas;
  • Exigência de sistemas de backup, pois qualquer interrupção na mineração pode afetar o fornecimento de calor às estufas.

Próximos passos

Durante os dois anos de teste, os parceiros irão monitorar eficiência de captura de calor, economia real para as estufas, manutenção dos equipamentos e possibilidade de replicação em outras regiões frias, incluindo o norte dos Estados Unidos e partes da Europa.

Se os resultados se mostrarem economicamente sustentáveis, os organizadores planejam escalar a tecnologia para usos agrícolas e industriais de maior porte, contribuindo para integrar a mineração de Bitcoin à infraestrutura energética local.

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