O mercado de capitais brasileiro encerrou 2025 com captação recorde de R$ 838,8 bilhões, apontou levantamento da Anbima divulgado nesta quinta-feira (22). O montante, o maior da série iniciada em 2012, supera em 6,43% os R$ 788,1 bilhões levantados em 2024.
Para Cesar Mindof, diretor da entidade, o resultado confirma a consolidação do setor como fonte relevante de financiamento. “Enxergávamos 2025 como um ano desafiador, mas o mercado sustentou o nível alcançado em 2024 e ainda avançou”, avaliou.
A procura por papéis de renda fixa, favorecida pelo patamar de juros, foi novamente o principal motor. As debêntures somaram R$ 492,9 bilhões, avanço de 4% em doze meses, enquanto as notas comerciais registraram a maior marca da série, com R$ 51,8 bilhões, alta de 18,9%.
Títulos de securitização – como FIDCs, CRIs, CRAs e debêntures de securitização – responderam por sete em cada dez ofertas de renda fixa. O volume captado por esses instrumentos passou de R$ 220,5 bilhões em 2024 para R$ 241,8 bilhões no ano passado. Dentro desse grupo, os FIDCs se destacaram com novo recorde de R$ 90,8 bilhões e 1.098 operações, equivalentes a 42% das emissões de renda fixa.
As ofertas de fundos imobiliários (FIIs) alcançaram R$ 79,2 bilhões, salto de 77,2% sobre 2024. Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, a alta reflete a antecipação de investidores a uma possível queda da Selic em 2026.
Entre as pessoas físicas, que aportaram R$ 81 bilhões no mercado em 2025, os FIIs lideraram a preferência com participação de 27,6%. Na sequência vieram CRAs (26,7%), CRIs (19,3%), debêntures incentivadas (12,3%) e FIDCs (6,7%).
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A negociação de debêntures no mercado secundário totalizou R$ 947,4 bilhões, quase o dobro do volume emitido no primário, fator que, de acordo com a Anbima, sustenta novas emissões.
Empresas brasileiras também voltaram a captar fora do país: a emissão de dívida no exterior somou US$ 31,6 bilhões, maior valor desde 2014.
Apesar do desempenho expressivo da renda fixa, a renda variável permaneceu estagnada. 2025 marcou o quarto ano consecutivo sem ofertas públicas iniciais (IPOs), e as operações de follow-on encolheram de R$ 25 bilhões, em 2024, para R$ 15,5 bilhões. Mindof, contudo, vê espaço para retomada em 2026 diante da expectativa de juros menores e de um ambiente externo favorável.
Com esses números, o mercado de capitais brasileiro mantém trajetória de expansão, impulsionado sobretudo pelos instrumentos de renda fixa e pelo aumento da liquidez no secondary market.