Uma operação militar dos Estados Unidos no fim de semana prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, colocando em risco o fluxo de petróleo subsidiado que sustenta a já fragilizada economia de Cuba.
A ação, ordenada pelo presidente norte-americano Donald Trump, levou Maduro à custódia sob acusações de conspiração de narcoterrorismo. A derrubada do líder venezuelano pode desmantelar a parceria iniciada em 1999 por Hugo Chávez, quando Caracas passou a enviar petróleo barato a Havana em troca de serviços médicos e apoio de segurança.
Durante o auge do acordo, a Venezuela despachava cerca de 100 mil barris diários de petróleo para Cuba. Segundo o The Wall Street Journal, esse volume caiu para aproximadamente 30 mil barris por dia após o endurecimento das sanções dos EUA contra o petróleo venezuelano.
Em dezembro, dois petroleiros foram apreendidos pela Marinha norte-americana ao largo da costa da Venezuela como parte de um bloqueio para conter as exportações sob sanção.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que, em 2023, 66,1% da oferta total de energia de Cuba veio de importações, consolidando o país como importador líquido há mais de duas décadas.
Além da crise energética, Cuba enfrenta escassez de alimentos, apagões frequentes e êxodo populacional. De acordo com o demógrafo Juan Carlos Albizu-Campos, mais de 2,7 milhões de cubanos — cerca de um quarto da população — deixaram a ilha desde 2020.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
Falando a jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou acreditar que o governo cubano está “prestes a cair” e que não vê necessidade de uma intervenção direta dos EUA: “Parece que vai desmoronar”, declarou.
Autoridades norte-americanas alegam que forças de segurança cubanas foram fundamentais para manter Maduro no poder. O secretário de Estado Marco Rubio disse que agentes de Havana comandavam a inteligência interna venezuelana, faziam a guarda pessoal de Maduro e monitoravam a lealdade dentro do governo.
No domingo, o governo cubano informou que 32 militares e policiais do país morreram durante a operação dos EUA na Venezuela; eles estavam destacados a pedido de Maduro. Trump confirmou as baixas: “Muitos cubanos foram mortos”, disse, acrescentando que não houve fatalidades do lado norte-americano.
Com a prisão de Maduro e a interrupção dos embarques de petróleo, economistas alertam que Havana pode enfrentar ainda mais dificuldades para manter a geração de energia e abastecer a população.