Nova York, 11.mar.2026 – A Cargill suspendeu o embarque de soja do Brasil para a China e interrompeu a compra do grão no mercado interno depois que o Ministério da Agricultura passou a adotar um modelo de inspeção fitossanitária mais rigoroso, atendendo a solicitação do governo chinês.
A mudança, iniciada no começo da semana passada, prevê que técnicos do ministério colham a própria amostra de cada carregamento, em vez de usar o método-padrão do setor. Segundo o presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, o novo procedimento tem gerado divergências nos laudos e atrasado a emissão dos certificados fitossanitários exigidos pela China.
“Sem o certificado, o navio não pode descarregar no destino. Alguns já estão sendo redirecionados para outros portos”, afirmou o executivo nos bastidores da Argentina Week 2026, conferência promovida pelo Bank of America em Nova York. Ele classificou a situação como “grande risco” para o fluxo de exportação brasileiro e informou que a companhia paralisou as operações na última sexta-feira (6).
A Cargill é uma das principais exportadoras de soja do país. A China responde por cerca de 80% das compras externas do grão brasileiro, e o Brasil permanece como maior produtor e exportador mundial da commodity.
Sousa disse ainda que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, discute o tema com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) para definir um formato de amostragem e classificação que destrave os embarques.
Imagem: redir.folha.com.br
Em nota, a Anec confirmou nesta quarta-feira (11) preocupação com a adaptação do setor às novas regras, sobretudo durante o pico de escoamento da safra. O Ministério da Agricultura não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Corretores e produtores relataram nas redes sociais falta de ofertas de compra de soja no mercado interno ao longo do dia.