Carlos Burle compara surfe de ondas gigantes a estratégias de risco no mercado financeiro

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Controle de risco, disciplina e preparação são elementos que unem o surfe de ondas gigantes ao universo dos investimentos, afirmou o surfista brasileiro Carlos Burle durante o Expert Trader XP, realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Reconhecido mundialmente por encarar paredes de água de até 30 metros, Burle destacou que tanto no mar quanto no pregão a sobrevivência depende de decisões consistentes tomadas sob forte pressão.

Preparação e autocontrole

Segundo o atleta, a coragem não é suficiente para enfrentar ambientes extremos. “Controlar as emoções é essencial para agir de acordo com o objetivo”, disse ao público do evento, ressaltando que resultados positivos surgem quando oportunidade e preparo se encontram.

Burle compara a volatilidade do mercado ao comportamento imprevisível das ondas: deslizes motivados por impulso podem trazer consequências severas. “Se você se deixa levar pela emoção, a queda é grande e o trauma também”, alertou.

Risco: entender, não evitar

Para o surfista, sentir nervosismo faz parte do processo porque evidencia a existência de perigo. “Quando ignoro o risco, deixo de me preparar”, explicou. Erros, disse ele, devem ser analisados para que não se repitam: “O importante é dar continuidade”.

Ele acrescentou que gerenciamento de risco envolve técnica, condicionamento físico e equilíbrio emocional. “Se eu descuido da saúde, perco oportunidades”, afirmou.

Disciplina na hora crítica

Burle enfatizou a necessidade de seguir protocolos nos momentos decisivos, adiando a avaliação emocional para depois. A recomendação se aproxima da postura exigida dos traders, que devem respeitar estratégias pré-definidas e evitar ordens impulsivas.

Escolher quando não entrar

Nem todo cenário merece uma posição, comparou o atleta. Há sessões de surfe — e de mercado — em que o custo-benefício não compensa: “Nem todos os mares são para você”.

Plano de saída

Antes de remar para o outside, Burle define como voltará à praia. A lógica, diz ele, vale igualmente para investimentos: ter um caminho claro de saída protege o capital e a integridade.

Três perfis de carteira

Em casa, o campeão divide o patrimônio familiar em estratégias distintas. Uma carteira prioriza estabilidade, outra busca retornos mais altos e a terceira tolera riscos maiores de longo prazo. A segmentação, exemplificou, contempla a esposa e o filho. “Há anos em que se ganha mais, outros em que se ganha menos; o importante é olhar o conjunto”, resumiu.

Independência como meta

Questionado sobre objetivos financeiros, Burle colocou a independência emocional lado a lado com a independência financeira: para ele, o mercado é ferramenta de estabilidade, não de ganhos imediatos. “No começo, parece que nada funciona, mas disciplina e resiliência levam ao resultado”, concluiu.

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