Vinte anos depois do boom imobiliário de 2006, os chamados “McMansions” — residências com mais de 5.000 pés quadrados (aprox. 465 m²) erguidas sem foco em eficiência — estão perdendo apelo no mercado norte-americano, apontam dados recentes da plataforma Zillow.
O principal fator para a mudança é o aumento dos prêmios de seguro e dos impostos sobre propriedade, especialmente em estados como Texas e Flórida. “O desejo por espaço não desapareceu, mas o conceito de valor evoluiu. O que o comprador não quer é excesso sem propósito”, afirmou Harrison Polsky, sócio da Catena Homes, ao canal Fox News Digital.
Robert Burrage, fundador da RWB Construction Management, reforçou que, em Palm Beach County (FL), mansões de 6.000 ou 7.000 pés quadrados construídas em 2006 podem representar “exposição financeira” se não contarem com vidros de impacto, telhados modernos ou geradores.
Segundo a Zillow, menções a casas “zero-energy-ready” cresceram 70% nos anúncios, enquanto referências a baterias de alimentação para toda a residência subiram 40%. Itens de lazer, como quadras de pickleball e simuladores de golfe, aparecem 25% mais. “Infraestrutura de estilo de vida e sustentabilidade deixaram de ser bônus; agora são pré-requisito”, disse Polsky.
Burrage destacou que geradores, sistemas ant furacão e integração inteligente são hoje esperados. “Uma casa grande sem esses recursos reduz drasticamente o público-alvo. Já uma residência um pouco menor, mas tecnologicamente avançada, costuma ter melhor desempenho de preço e demanda.”
Imagem: Kristen Altus FOXBusiness via foxbusiness.com
A orientação de “pintar tudo de bege” para revenda perdeu força. A Zillow constatou aumento de 149% em anúncios que citam “color drenching” — uso de tons como verde-oliva e cinza-carvão em toda a decoração. “A casa bege estéril dos anos 2000 parece datada. Hoje, segurança é sinônimo de design pensado, não de neutralidade absoluta”, explicou Polsky.
Com millennials e geração X dominando as compras, há uma redefinição permanente de luxo, segundo os especialistas. Burrage aconselha proprietários baby boomers a modernizar sistemas mecânicos, melhorar a eficiência energética e renovar interiores antes de colocar imóveis dos anos 2000 à venda. “O sonho americano não acabou; ficou mais intencional. O comprador quer um lar que atenda ao seu modo de vida — não apenas à aparência.”