A Centerview Partners, boutique de fusões e aquisições de Nova York, encerrou um processo movido pela ex-analista Kathryn Shiber, dispensada após informar que necessitava de oito a nove horas de sono por noite. O acordo foi firmado pouco antes do início do julgamento, previsto para a segunda-feira, 23.
Shiber processava o banco por discriminação por deficiência com base em legislações estaduais e federais, buscando indenização de milhões de dólares. Os termos do acerto não foram divulgados.
Em comunicado, a Centerview declarou que as alegações “não têm fundamento” e afirmou estar confiante de que venceria em tribunal. Ainda assim, a empresa disse preferir “deixar essa distração para trás”.
A analista ingressou na Centerview em 2020 e foi designada para o “Projeto Dragon”, que assessorava a Duke Energy contra uma possível investida do fundo Elliott Management. Com 21 anos à época, ela informou ter uma condição médica que exigia rotina de sono regular.
Inicialmente, o banco estabeleceu um período protegido entre 0h e 9h em que não seria exigido trabalho da funcionária. Semanas depois, Shiber foi demitida. A empresa sustentou nos autos que a disponibilidade durante a madrugada era essencial ao cargo e que a medida adotada fora temporária.
Imagem: redir.folha.com.br
Na audiência preparatória da semana passada, o juiz federal Edgardo Ramos autorizou a divulgação de informações sobre receitas, lucros e desempenho financeiro da Centerview durante o julgamento, rejeitando pedido de confidencialidade da defesa. Os advogados argumentavam que a exposição criaria “narrativa de Davi contra Golias”.
Fundada em 2006 pelos banqueiros Blair Effron e Robert Pruzan, a Centerview concorre com grandes nomes de Wall Street, como o Goldman Sachs, e é conhecida por exigir alta disponibilidade de seus profissionais juniores, prática que voltou a ser questionada com o caso Shiber.