CEO da Tenda atribui falta de mão de obra na construção civil a mudança geracional e vê reforma tributária como oportunidade

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O déficit de trabalhadores na construção civil tende a se agravar nos próximos anos, segundo o diretor-presidente da Construtora Tenda, Rodrigo Osmo, 49. Em entrevista concedida em São Paulo, o executivo afirmou que novas gerações mostram “menor disposição para trabalhar em canteiros de obras”, apesar de os salários do setor estarem, em sua avaliação, em patamar elevado.

“A inflação da mão de obra está quatro pontos percentuais acima do IPCA e não há perspectiva de recuo”, disse. Para ele, a combinação de maior exigência física, rotina rígida e a impossibilidade de modelos flexíveis — adotados em outras áreas — afasta candidatos das vagas ofertadas.

Escala 6×1

Questionado sobre o debate que propõe o fim da jornada 6×1, Osmo declarou que a mudança pode agravar o problema de produtividade histórica do país. “Como cidadão, não concordo”, afirmou.

Reforma tributária

Diferentemente de parte do setor, o executivo vê a reforma tributária como positiva. Ele argumenta que a simplificação de impostos retira barreiras à industrialização da construção e reduz a penalização fiscal sobre fornecedores de maior porte. “O formato atual incentiva empresas pequenas e intensivas em mão de obra; soluções industrializadas carregam tributos altos”, explicou.

Aposta em casas industrializadas

A Tenda mantém foco na Alea, subsidiária dedicada a unidades habitacionais pré-fabricadas. Segundo Osmo, 70% das novas famílias brasileiras surgem em municípios onde predominam moradias horizontais, segmento pouco explorado pelas incorporadoras listadas em bolsa. “Apostamos que a Alea possa superar a própria Tenda em tamanho”, declarou.

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Imagem: redir.folha.com.br

A empresa fornece casas para o programa Minha Casa, Minha Vida e participou do chamamento do governo paulista, comandado por Tarcísio de Freitas, para o projeto Casa Paulista. O executivo avalia como “muito pequeno” o risco de interrupção do Minha Casa, Minha Vida em eventuais trocas de governo, lembrando que o programa atravessou diferentes gestões desde a criação.

Perfil

Engenheiro químico formado pela Escola Politécnica da USP e com MBA pela Harvard Business School, Rodrigo Osmo dirige a Tenda desde 2012. Antes, atuou como diretor de desenvolvimento de negócios e diretor financeiro da Gafisa, além de ter sido diretor-superintendente da Alphaville Urbanismo.

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