Marcelo Kalim, presidente do C6 Bank, afirmou nesta terça-feira (3) que a liberação de uma fração dos depósitos compulsórios dos bancos junto ao Banco Central seria uma “excelente” alternativa para reforçar o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o executivo, a medida seria ainda mais eficaz se contemplasse a parcela referente aos depósitos a prazo.
A necessidade de recapitalizar o FGC ganhou força depois da liquidação do Banco Master. O fundo estima que poderá desembolsar até R$ 40,6 bilhões em reembolsos aos clientes da instituição. Também há previsão de até R$ 6,3 bilhões para investidores e correntistas do Will Bank, o que deixaria cerca de R$ 78 bilhões disponíveis para futuras garantias.
Para repor recursos, os bancos associados discutem antecipar cinco anos de contribuições ao FGC. Os pagamentos referentes aos próximos 60 meses seriam feitos no início de 2026, e uma possível contribuição extra está em avaliação.
Kalim afirmou que, mesmo sem a liberação de compulsórios, o adiantamento não afetaria de forma relevante o balanço do C6. Ele também defendeu mudanças nas regras do fundo para evitar que instituições se capitalizem usando a garantia como atrativo, como ocorreu com o Master.
O executivo disse que a liquidez gerada pelo pagamento das garantias do Master nas últimas semanas impulsionou a captação do C6, graças ao aumento da procura de investidores por aplicações cobertas pelo FGC.
O C6 divulgou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões em 2025, alta de 8,5% sobre 2024. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 45%.
Imagem: redir.folha.com.br
A carteira de crédito expandida somou R$ 89,3 bilhões, crescimento anual de 49%, puxado principalmente pelo crédito consignado. O banco projeta avanço ainda maior no consignado privado, após ajustes operacionais e com a futura garantia do FGTS.
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 2,5 bilhões, aumento de 32% no ano. A inadimplência superior a 90 dias representou 2,9% da carteira, ante 2,6% em 2024.
Kalim declarou estar “um pouco otimista” para 2026. A expectativa de queda na Selic deve reduzir o custo de capital e aliviar a inadimplência, enquanto a economia tende a manter o ritmo de crescimento e o desemprego segue em patamar baixo.
Fundação: 2019
Clientes: 40 milhões
Concorrentes: Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil