A reativação dos fundos multimercados no Brasil, que já receberam R$ 17 bilhões nos últimos meses segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), foi tema da entrevista concedida por Carlos Augusto Salamondi, CEO da Itaú Asset, ao programa Outliers InfoMoney.
Salamondi afirmou que as oportunidades de retorno acima da média nem sempre estão confinadas à estrutura da própria gestora. “Posso contar com oportunidades externas, com objetivos bem definidos e sempre acompanhadas pelo nosso controle de riscos”, disse, ressaltando a necessidade de monitoramento rigoroso e governança em qualquer estratégia, seja de crédito ou multimercado.
O executivo destacou o modelo multimesas do Itaú, que evita a dependência de um único gestor ou tese de investimento. Nos últimos cinco anos, cinco equipes diferentes lideraram o desempenho da área, evidenciando, segundo ele, a importância de um negócio balanceado. As estratégias são consolidadas no fundo Globo Dinâmico, mas cada grupo mantém autonomia para definir posições.
Apesar do fluxo positivo, Salamondi avaliou que “a indústria ainda está machucada”. Alguns gestores já superaram o “ponto de equilíbrio”, enquanto outros seguem tentando recuperar performance. Para o CEO, a classe multimercado continua estrutural nas carteiras por oferecer flexibilidade e proteção, mas a diferença de resultados entre fundos pode chegar a 30%, exigindo análise criteriosa e orientação profissional.
Os fundos de índice também ganharam espaço na conversa. Salamondi lembrou que a Itaú Asset lançou o primeiro ETF do mercado brasileiro, envolvendo renda variável, renda fixa e produtos híbridos. Na avaliação do executivo, esses veículos combinam baixo custo e alta liquidez, encaixando-se em modelos de asset allocation com foco em eficiência de despesas. “É uma indústria que vai crescer muito, e estamos preparados para liderar”, afirmou.
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A gestora, segundo Salamondi, investe fortemente em research e inteligência artificial para apoiar as decisões de suas mesas. Ele revelou que, em determinados anos, mais de 50% do risco e do retorno dos portfólios veio de mercados emergentes fora do Brasil, reforçando a necessidade de acompanhamento do cenário internacional. “Cada mesa tem independência e autonomia. Elas podem ter posições diferentes, e isso é bom para o investidor”, pontuou.
O executivo prevê 2026 como um ano marcado por maior volatilidade global, mas também por oportunidades de ganhos. “Enxergamos chance de tomar boas decisões e gerar retornos consistentes para os investidores, sempre com humildade e profundidade no trabalho”, concluiu.