DAVOS (Suíça), 20 de janeiro de 2026 – O presidente-executivo da Palantir Technologies, Alex Karp, afirmou nesta terça-feira que o uso de inteligência artificial (IA) “reforça as liberdades civis” e advertiu que a Europa está perdendo terreno para Estados Unidos e China na adoção da tecnologia.
Karp participou de uma conversa com Larry Fink, CEO da BlackRock, durante o Fórum Econômico Mundial. Segundo ele, a Palantir opera “inúmeros hospitais” que enfrentam carência de médicos e enfermeiros e dificuldades na triagem de pacientes. A aplicação de IA, disse o executivo, permite processar informações “de 10 a 15 vezes mais rápido do que antes”, o que, segundo ele, “salva muitas vidas”.
O executivo argumentou que a tecnologia também aumenta a transparência. “É possível verificar se alguém foi atendido por razões econômicas ou por sua origem. Isso antes era impossível”, declarou, acrescentando que mostrar dados detalhados sobre cada decisão “beneficia as liberdades civis” e faz sentido para os próprios hospitais.
Questionado por Fink sobre o impacto global da IA, Karp afirmou que Estados Unidos e China já demonstram “modelos diferentes, mas eficazes”, capazes de operar em larga escala. Ele prevê que esse avanço vai “acelerar além do que a maioria das pessoas considera possível”.
Para Karp, a baixa adoção tecnológica na Europa é “um problema sério e estrutural”. “O que mais me assusta é não ver nenhum líder político admitir a gravidade da situação e propor uma solução”, disse.
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Sobre o mercado de trabalho, o CEO discordou da ideia de que a IA eliminará vagas em massa. Ele citou técnicos vocacionais envolvidos na produção de baterias nos Estados Unidos que, segundo ele, realizam tarefas equivalentes às de engenheiros japoneses formados em universidades. “Esses profissionais se tornam muito valiosos, até insubstituíveis, porque podem se transformar rapidamente”, comentou.
Karp acrescentou que haverá “empregos mais do que suficientes” para cidadãos com formação técnica e questionou a necessidade de “imigração em larga escala” a menos que se trate de habilidades altamente especializadas.
O executivo concluiu que o avanço da IA tende a influenciar “todos os aspectos da sociedade” no longo prazo, em ritmo superior ao estimado pela maioria dos analistas.