China reforça domínio global sobre terras raras e dificulta avanço de concorrentes

Mercado Financeiro12 minutos atrás6 pontos de vista

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Pequim – A China consolidou posição de líder absoluto na cadeia de produção de terras raras, elemento essencial para smartphones, veículos elétricos e equipamentos militares, e mantém barreiras que dificultam o surgimento de competidores, afirmaram analistas e executivos do setor.

Zhang Xigang, diretor da estatal Rising Nonferrous Metals Share, disse a investidores que “os avanços tecnológicos vão garantir à China o poder de definir os preços” e previu que “os mercados internacionais continuarão dependentes da cadeia de suprimentos chinesa no futuro previsível”.

Dependência ocidental

Estados Unidos, União Europeia e Japão aceleram planos para criar uma cadeia de suprimentos independente, mas hoje dependem quase totalmente da China. O país responde por 70% da extração mundial, 90% do processamento químico e 93% da fabricação de ímãs de terras raras.

Pequim usa essa vantagem em negociações comerciais, aplicando controles de exportação quando necessário. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acusou a China de adotar “dominância, dependência e chantagem” para pressionar rivais.

Estratégia de preços baixos

Mesmo controlando a maior parte da oferta, o governo chinês mantém preços suficientes para inviabilizar novos projetos no exterior. “Eles suprimem os preços para preservar influência e transformar o recurso em arma econômica”, afirmou Gracelin Baskaran, do Center for Strategic and International Studies.

Décadas de construção

A estratégia começou nos anos 1990, quando a mineração se expandiu graças à fiscalização ambiental frouxa. Na mesma década, estatais chinesas e investidores dos EUA compraram a divisão de ímãs da General Motors, a Magnequench, e transferiram linhas de produção de Indiana para fábricas em Tianjin e Ningbo, reforçando o controle sobre a etapa de maior valor agregado.

Ao longo dos anos 2000, Pequim utilizou cotas de exportação e incentivos fiscais para enfraquecer concorrentes. Em 2010, os dois últimos fabricantes de ímãs dos EUA fecharam as portas. O Japão, afetado por um embargo informal naquele ano, passou a estocar material e investir em reciclagem.

Hoje, o setor está concentrado em dois conglomerados estatais: China Northern Rare Earth (Group) High-Tech Co. e China Rare Earth Group, controladora da Rising Nonferrous.

Reação internacional

Com a entrada de minas nos EUA e na Austrália, Pequim elevou suas próprias cotas de produção para segurar os preços. A medida reduziu a margem de lucro de competidores ocidentais e, paradoxalmente, também de empresas chinesas.

Em junho, os países do G7 anunciaram planos para criar um mecanismo de definição de padrões que poderia, no futuro, restringir ímãs chineses a preços considerados “ultrabaixos”. No mês seguinte, Washington garantiu um preço mínimo para o neodímio-praseodímio da norte-americana MP Materials, acertando a compra do insumo por cerca do dobro da cotação de mercado e comprometendo-se a adquirir toda a produção de ímãs de uma futura fábrica nos EUA.

Para Gareth Hatch, da consultoria Technology Materials Research, a demanda por ímãs fora da China deve permanecer limitada. “O mantra da maioria das empresas ocidentais sempre foi o menor custo”, disse. “Por que comprar de um fornecedor mais caro se há alternativas mais baratas?”

Especialistas concordam que igualar a escala e o custo da China será tarefa longa e onerosa. Até lá, a dependência global das terras raras chinesas tende a continuar.

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