Em 2024, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-titular da Justiça, Ricardo Lewandowski, pagou R$ 9,4 milhões por uma casa pertencente a Anajá de Oliveira Santos Yang, de acordo com informação publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo próprio Lewandowski.
Anajá é casada com Alan de Souza Yang, conhecido como “China”. Há cerca de 15 anos, Alan é alvo de inquéritos que apuram adulteração de combustíveis, atividade pela qual já foi condenado, além de apurações sobre outros crimes.
Até o momento, não há indícios de que a transação imobiliária envolva irregularidades ou conexão com as investigações contra “China”. Pessoas próximas ao ex-ministro afirmam que ele e a empresa familiar que administra seu patrimônio podem ter sido vítimas de um golpe, já que uma busca simples na internet indicaria o histórico do marido da vendedora.
Alan “China” é apontado por investigações da força-tarefa Carbono Oculto como associado a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e a Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Ambos estão foragidos e negociam acordos de delação premiada.
Segundo apurações, “Beto Louco” e “Primo” usaram fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro, parte dele possivelmente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Alguns desses fundos eram administrados pela gestora Reag, que chegou a liderar o segmento fora dos grandes bancos até sofrer intervenção.
A Reag pertencia a João Carlos Falbo Mansur, acusado de manter negócios com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Vorcaro, por sua vez, teria contratado serviços profissionais de Lewandowski, de familiares do ministro Alexandre de Moraes e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Fundos ligados à família de Vorcaro também mantiveram relações comerciais com parentes do ministro Dias Toffoli.
Imagem: redir.folha.com.br
Não há provas que relacionem Lewandowski, Moraes, Mantega ou Toffoli a irregularidades nesses esquemas financeiros.
Investigadores relatam crescimento de operações que misturam elite econômica e grupos criminosos, incluindo negociações de imóveis com pagamento em espécie, abertura de empresas em nome de terceiros e utilização de fundos exclusivos para ocultar patrimônio. Essas práticas também são vistas em casos que envolvem crimes ambientais e trabalho análogo à escravidão.
O relatório lembra ainda que integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro chegaram a comprar imóveis com dinheiro vivo, enquanto mantinham relação próxima com grupos de milícia no Rio de Janeiro. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, aparece entre os políticos que utilizaram essa forma de pagamento.
Autoridades afirmam que o uso de estruturas financeiras sofisticadas por organizações criminosas dificulta o rastreamento de valores e destaca a necessidade de reforçar mecanismos de controle sobre fundos de investimento, fintechs e transações imobiliárias de alto valor.