Conflito no Irã amplia pressão dos EUA sobre economia chinesa

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São Paulo — O bombardeio conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no sábado (28.fev.2026), abriu uma frente geopolítica que ameaça o abastecimento de petróleo da China e reforça o cerco econômico norte-americano ao país asiático.

Diplomacia chinesa em alerta

No terceiro dia da guerra, nesta segunda-feira (2.mar.2026), o chanceler chinês Wang Yi telefonou ao colega iraniano Abbas Araghchi, oferecendo solidariedade, e em seguida falou com o ministro de Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi. Wang pediu que os países do Golfo Pérsico se unam contra “influências externas”, enquanto mísseis e drones iranianos atingem alvos na região — inclusive em território omanense, tradicionalmente neutro.

Dependência energética

A China importa cerca de metade do petróleo que consome dos exportadores árabes do Golfo. A Arábia Saudita é o maior fornecedor individual, seguida pela Rússia — que vende com descontos desde as sanções europeias pela guerra da Ucrânia — e pela Malásia, rota usada para legalizar óleo iraniano sob embargo.

Dados da consultoria Kpler indicam que, em 2025, 13,4% do petróleo cru comprado pela China teve origem iraniana, volume equivalente a mais de 80% da produção do Irã.

Estreito de Hormuz travado

O fluxo de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) que cruza o Estreito de Hormuz, responsável por 20% da produção mundial, está praticamente suspenso. Cerca de 350 embarcações permanecem ancoradas nos dois lados da passagem por medo de ataques; ao menos quatro petroleiros já foram atingidos por drones iranianos.

O Qatar, que vende um quinto do GNL consumido no planeta, interrompeu a produção, e uma das maiores refinarias sauditas foi fechada após investida com drones nesta segunda-feira.

Impacto no preço do barril

O Brent subiu ao maior nível em oito meses, aproximando-se de US$ 80. Para efeito de comparação:

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Imagem: redir.folha.com.br

  • 30.jan.2025 — US$ 77
  • 1.ago.2025 — US$ 70
  • 1.nov.2025 — US$ 60
  • 2.mar.2026 — US$ 77

Economia chinesa vulnerável

Segundo o Banco Mundial, 37% do PIB chinês provém da indústria, base de um modelo voltado à exportação e altamente dependente de energia barata. Antes da guerra, Pequim acelerou compras extras de petróleo russo e iraniano, mas analistas veem impacto inevitável em suas reservas caso o bloqueio persista.

“Guerra Fria 2.0”

Desde 2017, quando o então presidente Donald Trump iniciou uma disputa tarifária com Pequim, o déficit comercial dos EUA em relação à China caiu para pouco mais de US$ 300 bilhões. Ao mesmo tempo, o superávit global chinês bateu recorde de US$ 1 trilhão em 2025. Para estrategistas em Pequim, as restrições ao petróleo representam um instrumento ainda mais eficaz que tarifas para conter o rival.

Outros gargalos no fornecimento

• Sanções norte-americanas às duas maiores petroleiras russas, impostas após a invasão da Ucrânia, já dificultam o frete de óleo para a Ásia.
• A frota “fantasma” de Moscou, que opera com navios sob bandeiras de conveniência, passou a ser rastreada e, em alguns casos, apreendida por EUA e aliados.
• Em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA, a China perdeu a influência sobre as exportações venezuelanas, agora controladas por Washington.

Isolamento energético dos EUA

Enquanto pressiona a oferta para a China, os Estados Unidos contam com 415 milhões de barris em reservas estratégicas e uma produção recorde de 13 milhões de barris por dia — resultado da expansão da extração de xisto. A economia norte-americana, majoritariamente voltada ao setor de serviços, também é menos sensível a choques no preço do petróleo.

Sem alternativas energéticas de curto prazo, Pequim observa a escalada no Oriente Médio como mais um capítulo da disputa com Washington — agora travada nos campos de batalha iranianos e nas rotas marítimas do Golfo Pérsico.

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