Conflito no Oriente Médio eleva risco para usinas a GNL no principal leilão de energia do país

Mercado Financeiro3 horas atrás8 Visualizações

O acirramento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã repercute no mercado global de gás natural liquefeito (GNL) e acende um alerta para os projetos termelétricos que pretendem utilizar o combustível no leilão de capacidade marcado para a próxima semana, o mais aguardado pelo setor elétrico brasileiro.

Pressão sobre contratos já assinados

Especialistas apontam que os pré-acordos firmados por empreendedores com fornecedores de GNL podem sofrer revisões caso o conflito se prolongue ou alcance infraestrutura de produção e transporte no Oriente Médio, região estratégica para o insumo.

Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da consultoria A&M Infra, lembra que variações bruscas de preço costumam redirecionar cargas para compradores dispostos a pagar mais, o que pode dificultar o atendimento aos vencedores do certame brasileiro.

Sinais de aperto na oferta

O Catar, segundo maior exportador mundial do combustível, suspendeu recentemente a produção em uma de suas unidades e declarou força maior nos embarques. A Shell, principal comerciante global de GNL, adotou a mesma medida para as cargas adquiridas da QatarEnergy. O mecanismo isenta as empresas de responsabilidade em caso de falhas de entrega.

Na Europa, o preço do GNL saltou de cerca de US$ 10 para até US$ 18 por milhão de BTU, segundo a consultoria Rystad Energy.

Antecedente de problemas no Brasil

Em 2021, o primeiro leilão de capacidade enfrentou situação semelhante. A usina Portocém, contratada com base em um pré-acordo de fornecimento com a Shell, perdeu o apoio da companhia após a invasão da Ucrânia. O projeto acabou comprado pela New Fortress Energy, que transferiu o empreendimento de Pecém (CE) para Barcarena (PA).

Visões do mercado

Para Vinícius Romano, vice-presidente de gás da Rystad na América Latina, os supridores brasileiros aprenderam com a crise anterior e já exigem maior flexibilidade nos contratos. Mesmo assim, ele admite que, sem compromissos firmes, há espaço para renegociações de preço que podem elevar o custo variável das usinas e, em última instância, atingir o consumidor.

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Imagem: redir.folha.com.br

Décio Oddone, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), avalia que o risco para os projetos a GNL é baixo, mas não descarta rupturas de oferta em cenários extremos.

Leilão bilionário

O leilão de capacidade deverá movimentar investimentos para a contratação de ao menos 20 GW em usinas novas e existentes. Além de térmicas a GNL, poderão ser viabilizados projetos a gás natural integrado à malha, carvão, óleo combustível, biodiesel e ampliações hidrelétricas.

Entre os interessados estão Petrobras, Eneva, Âmbar Energia (J&F), GNA (BP, Siemens, SPIC Brasil e Prumo Logística), New Fortress Energy e a turca Karpowership. A Petrobras, especificamente, leva nove usinas — que somam 2,9 GW — para recontratação e estuda um novo projeto, atuando também como supridora de gás.

A Eneva, por sua vez, já manifestou intenção de renovar contratos de ativos existentes e expandir a capacidade de seu polo de gás em Sergipe.

Analistas lembram que o avanço da capacidade exportadora dos Estados Unidos nos próximos anos pode compensar eventuais limitações do Oriente Médio, mas ressaltam que a trajetória do conflito torna qualquer projeção incerta.

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