O distrito da Consolação, na região central de São Paulo, concentra lançamentos residenciais voltados às faixas de renda média e alta, ao mesmo tempo em que preserva edifícios históricos valiosos para o mercado imobiliário.
Nos 12 meses encerrados em setembro, 67% dos apartamentos lançados na Consolação custavam entre R$ 350 mil e R$ 700 mil, de acordo com o Secovi. Imóveis abaixo desse patamar representaram apenas 9% das ofertas.
Entre os imóveis usados, a valorização média foi de 5,4% na comparação entre 2025 e 2023. Já em relação a 2024, houve recuo de 30,1%, em linha com a queda de 27,8% na área média das unidades negociadas. Os números são da startup imobiliária Loft, que utiliza dados de ITBI referentes ao período de janeiro a setembro.
A alta verticalização de Higienópolis nas décadas de 1940 e 1950 limita terrenos disponíveis. Mesmo assim, construtoras buscam espaço para empreendimentos.
Em uma quadra próxima à rua da Consolação e ao campus Mackenzie, a SKR, a construtora Paulo Mauro e a Portofino Multifamily Office erguerão o Praça Higienópolis. O projeto terá duas torres—uma de estúdios e outra com apartamentos de até 212 m²—além de sete lojas na fachada ativa.
Para viabilizar o terreno, casas, uma antiga agência bancária e um prédio de nove andares foram demolidos. Uma praça de uso público ligará as ruas Itambé, Sergipe e Dona Antônia de Queirós. A concepção é assinada pelo arquiteto francês Greg Bousquet, que defende a arquitetura biofílica e o plantio de espécies nativas.
Imagem: redir.folha.com.br
A Magik JC, tradicionalmente focada em empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida no centro, lançou o ITA 173 na rua Itacolomi. O edifício, comprado no início da pandemia como forma de proteção contra a alta de custos da construção, terá 42 unidades entre estúdios e apartamentos, com preços a partir de R$ 600 mil.
Higienópolis abriga alguns dos prédios mais renomados da cidade, como Louveira (Vilanova Artigas), Bretagne e Cinderela (Artacho Jurado), Lausanne (Franz Heep) e Prudência (Rino Levi). Mesmo com condomínio elevado e áreas de lazer restritas, essas construções ganham valor pela autoria: um apartamento de 110 m² no Cinderela é negociado por cerca de R$ 2 milhões.
A combinação de patrimônio arquitetônico, novas torres residenciais e ruas consagradas—como Augusta, Consolação e Angélica—mantém a Consolação entre os endereços mais cobiçados da capital paulista.