São Paulo, 04 jun. – O segmento de empresas que mantêm tesourarias em ativos digitais tende a passar por um movimento de fusões e aquisições em 2026, avaliou Wojciech Kaszycki, diretor de estratégia da provedora de infraestrutura e tesouraria cripto BTCS.
Segundo o executivo, a queda prolongada nas cotações das criptomoedas deixou muitas tesourarias “no vermelho” ou negociadas abaixo do valor líquido de seus ativos (NAV). Essa situação cria oportunidades para companhias que, além de manter criptos em balanço, geram fluxo de caixa por meio de atividades operacionais, como serviços de validação de redes blockchain ou emissão de instrumentos de crédito público e privado.
“Quando duas empresas se juntam, às vezes ‘dois mais dois’ passa a valer seis ou mais; quem está abaixo do NAV está lutando para sobreviver”, afirmou Kaszycki. Ele acrescentou que organizações com receitas recorrentes têm mais fôlego para comprar rivais que apenas acumulam tokens.
O setor já sentiu um abalo em 2025, quando os preços das ações de diversas tesourarias despencaram para níveis inferiores ao montante de criptomoedas que possuíam em caixa. O recuo antecedeu o crash do mercado cripto registrado em outubro.
Kaszycki destacou ainda que a tokenização de ativos do “mundo real”, em especial instrumentos de crédito, deve ganhar força nos próximos 24 meses. Esses tokens podem servir de garantia em plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) para operações de empréstimo e financiamento.
Imagem: cointelegraph.com
A Strategy, maior tesouraria de Bitcoin do mundo, já oferece instrumentos semelhantes a renda fixa para investidores. A companhia cita esses produtos como motivo para ser incluída nos índices da MSCI, argumentando que suas operações permitem diferentes graus de exposição econômica ao Bitcoin por meio de ações e títulos de dívida.
Para Kaszycki, modelos de negócio que combinam guarda de criptomoedas com geração de renda previsível sairão na frente na corrida de consolidação prevista para o próximo ano.