O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos definem suas taxas de referência na próxima quarta-feira, 28, dia que o mercado chama de “superquarta”.
No Brasil, a projeção majoritária é de manutenção da Selic em 15% ao ano, maior nível desde 2006. Caso se confirme, será a quinta reunião consecutiva sem alteração.
O Termômetro do Copom, ferramenta do Valor Investe baseada em opções negociadas na B3, aponta que 86% dos investidores esperam estabilidade. Outros 11,5% veem corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, enquanto 2% apostam em redução de 0,50 ponto, para 14,50%.
Analistas acompanham de perto a comunicação do Copom, em busca de indícios sobre o início do ciclo de afrouxamento monetário. Dados fortes de atividade no fim de 2025 e início de 2026 levaram parte do mercado a adiar previsões de corte, mas a recente queda do dólar abaixo de R$ 5,30 reacendeu a expectativa de reduções ao longo de 2026.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o comitê deve preservar “estratégia de cautela”, mas pode preparar o terreno para um primeiro corte de 0,50 ponto em março de 2026. Ele projeta Selic de 12,5% ao fim de 2026 e ressalta que a política monetária continuará contracionista até que a inflação converja para a meta.
Com a taxa básica em patamar elevado, empréstimos e financiamentos seguem caros, ao passo que investimentos de renda fixa mantêm rentabilidade elevada.
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Fed mantenha o juro entre 3,5% e 3,75% ao ano após três cortes seguidos, em meio a atividade resiliente, inflação acima da meta e sinais de moderação no mercado de trabalho.
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O presidente Donald Trump voltou a criticar o presidente do Fed, Jerome Powell, pela suposta demora em reduzir a taxa. Trump afirmou que anunciará em breve o nome do próximo comandante da autoridade monetária e disse ter entrevistado “vários candidatos fortes”.
Na semana retrasada, o Departamento de Justiça abriu investigação criminal sobre a reforma da sede do Fed em Washington. Powell reagiu dizendo que a medida representa tentativa de interferência na condução dos juros e classificou o episódio como sem precedentes.
Em resposta, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, assinou carta de apoio a Powell junto com outros 11 banqueiros centrais, entre eles a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde. O documento defende a independência das autoridades monetárias como pilar para a estabilidade de preços, financeira e econômica.
A maioria dos analistas ainda vê o início dos cortes em janeiro, avaliação reforçada pela desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, divulgada em 4 de janeiro, que reduziu pressões inflacionárias e abriu espaço para eventual flexibilização monetária.