Um corretor do Morgan Stanley que atende Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, buscou aplicar uma quantia multimilionária em um fundo de empresas militares semanas antes do ataque conjunto EUA-Israel ao Irã, revelaram três fontes ouvidas pelo Financial Times.
Segundo essas pessoas, o agente entrou em contato com a BlackRock em fevereiro para comprar cotas do Defense Industrials Active ETF (ticker IDEF), veículo de US$ 3,2 bilhões que investe em companhias favorecidas pela alta dos gastos governamentais em defesa e segurança. A consulta foi sinalizada internamente pela gestora.
A BlackRock, o Morgan Stanley e o Pentágono preferiram não comentar o episódio.
Entre as principais posições do IDEF estão os conglomerados RTX, Lockheed Martin e Northrop Grumman, além da especialista em dados Palantir — todas fornecedoras do Departamento de Defesa norte-americano.
O investimento acabou não realizado porque o ETF, lançado em maio do ano passado, ainda não estava disponível na plataforma do Morgan Stanley. Não está claro se o corretor encontrou outro fundo semelhante para o secretário.
Listado na Nasdaq, o IDEF subiu 28% nos últimos 12 meses, mas recuou quase 13% no último mês e não acompanhou a escalada do conflito no Oriente Médio.
Imagem: redir.folha.com.br
A tentativa de aplicação ocorre enquanto o Departamento de Defesa planejava a ofensiva contra Teerã, circunstância que deve ampliar o escrutínio sobre operações financeiras ligadas a autoridades do governo Trump.
Hegseth, um dos mais entusiastas defensores da guerra com o Irã, foi apresentador da Fox News até 2024, período em que recebeu US$ 4,6 milhões em salários. Ele também somou quase US$ 500 mil em adiantamentos de livros, entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão em royalties por obra e cerca de US$ 900 mil em palestras.
Em sua última declaração financeira, de junho de 2025, o secretário informou a venda de ações de 29 empresas, com valores individuais entre US$ 1.001 e US$ 50 mil.