As ações da Cosan (CSAN3) registraram um dos maiores ganhos do Ibovespa nesta terça-feira (10), impulsionadas pelos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). Por volta das 12h40, os papéis subiam 6,45%, cotados a R$ 6,11, e chegaram a avançar 8,01% na máxima intradiária, a R$ 6,20.
No período, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões, redução de 38% em relação ao mesmo intervalo de 2024, quando a perda havia sido de R$ 9,3 bilhões.
O Ebitda ajustado sob gestão, que inclui a participação na Raízen (RAIZ4), totalizou R$ 7,8 bilhões, queda de 3% ano a ano, mas acima da estimativa de R$ 6,7 bilhões do Banco Safra.
A dívida líquida expandida ficou em R$ 9,76 bilhões, recuo de 58% frente ao 4T24 e de 46% em comparação com o terceiro trimestre de 2025. A alavancagem pro forma expandida encerrou o trimestre em 3,3 vezes dívida líquida/Ebitda, 0,4 ponto abaixo do 3T25.
Conrado Vegner e Vinícius Andrade, do Safra, avaliaram que, apesar da fraqueza anual nos resultados e de leve deterioração na alavancagem, as recentes melhorias na estrutura de capital ainda não aparecem integralmente nos números divulgados. A expectativa é de que o efeito seja mais visível nos próximos trimestres.
O Bradesco BBI também considera o Ebitda o principal destaque, observando que o desempenho menor em Raízen, Radar, Moove e Compass foi parcialmente compensado pelos resultados da Rumo (RAIL3). O banco notou ainda divergência entre alavancagem e geração de caixa: a cobertura de juros recuou para 0,9 vez, mas o caixa foi favorecido por aumento de capital e venda de ações da Rumo.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Em teleconferência, o CEO Marcelo Martins afirmou que a Cosan pretende reduzir o endividamento por meio de venda de ativos, sem pressa e mantendo critérios de preço. O executivo indicou que, nos próximos dias, espera avanços em alternativas para fortalecer a posição financeira da Raízen, joint venture com a Shell. A Cosan não participará do aumento de capital da parceira, por considerar que a medida não solucionaria o problema de forma adequada.
Martins também negou a existência de negociações para venda da fatia na Rumo, rebatendo informações publicadas na véspera sobre suposto interesse da Ultrapar (UPGA3) e da gestora Perfin.
O Safra manteve recomendação de compra para CSAN3, com preço-alvo de R$ 9 até o fim de 2026, potencial de alta de 56,8% sobre o fechamento anterior (R$ 5,74). O Bradesco BBI também recomenda compra, projetando R$ 7 para dezembro de 2026, upside de 21,9%.
Com a reação positiva do mercado, os investidores acompanham os próximos passos da empresa em redução de dívidas e possíveis desinvestimentos, fatores que podem continuar influenciando o desempenho de CSAN3 ao longo do ano.