WASHINGTON – O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (29) a segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025, apontando expansão anualizada de 0,7%. O resultado ficou abaixo do avanço de 1,4% calculado na primeira leitura e da mesma projeção de analistas consultados pela LSEG.
Considerando o recuo de 0,6% no primeiro trimestre, a alta de 3,8% no segundo e o ganho de 4,4% no terceiro, a economia norte-americana cresceu cerca de 2,08% em 2025. Esse percentual ainda pode mudar, pois a Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgará uma terceira e última revisão dos dados do quarto trimestre.
A BEA informou que o aumento dos gastos dos consumidores e dos investimentos privados sustentou o PIB no período, mas parte desse impulso foi neutralizada por quedas em exportações e gastos governamentais. As importações, que entram com sinal negativo no cálculo, também diminuíram, mas em ritmo menor que o previsto inicialmente.
As vendas finais a compradores privados domésticos – soma de consumo das famílias e investimento fixo privado – avançaram 1,9%, 0,5 ponto percentual a menos que na estimativa anterior.
A paralisação parcial do governo federal, que durou 43 dias entre outubro e meados de novembro, atrasou a divulgação do relatório e afetou o resultado do trimestre. Segundo a BEA, a redução de serviços públicos federais tirou aproximadamente 1 ponto percentual do crescimento do PIB no período.
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Para Ellen Zentner, estrategista-chefe de economia da Morgan Stanley Wealth Management, o foco dos investidores em preços do petróleo e tensões geopolíticas tende a ofuscar os números do PIB, enquanto a inflação ainda resistente reforça a expectativa de que o Federal Reserve mantenha a política monetária inalterada no curto prazo.
Bret Kenwell, analista de investimentos da eToro nos Estados Unidos, avaliou que os cortes mais amplos ocorreram principalmente no consumo das famílias, responsável por cerca de dois terços do PIB, cenário que dificulta uma postura agressiva do Fed em relação a cortes de juros sem sinais mais claros de desaceleração econômica.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve reúne-se na próxima semana. A última revisão do PIB do quarto trimestre será publicada quando houver dados adicionais disponíveis.