Os contratos de juros futuros brasileiros registravam forte alta na manhã desta quinta-feira (19), reagindo ao corte da Selic anunciado pelo Banco Central e ao aumento das tensões no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo.
Por volta das 11h (horário de Brasília), a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subia para 14,215% ante 14,200% do ajuste anterior, após tocar máxima de 14,340% – avanço de 14 pontos-base no pico.
No médio prazo, o DI para janeiro de 2030 marcava 14,045%, bem acima dos 13,845% do fechamento da véspera. Já o DI para janeiro de 2036 era negociado a 14,075% contra 13,880% no dia anterior, tendo chegado a 14,200% na máxima intradia, salto de 32 pontos-base.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries também operavam em alta. O yield do papel de dois anos, mais sensível à política monetária dos Estados Unidos, avançava de 3,743% para 3,809%. O retorno da referência de dez anos passava de 4,257% para 4,261%.
Na véspera (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, primeira flexibilização desde julho. O colegiado disse iniciar um ciclo de “calibração” da política monetária, mas ressaltou a maior incerteza e o afastamento das projeções de inflação em relação à meta. O comunicado também destacou a elevação da volatilidade de ativos e commodities diante do conflito no Oriente Médio.
Nesta manhã, o contrato mais líquido do Brent para maio voltou a se aproximar de US$ 120 por barril, negociado a US$ 119,10 na máxima intradia.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Também ontem, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve a taxa básica dos EUA entre 3,50% e 3,75% ao ano. Na coletiva, o presidente Jerome Powell afirmou que a possibilidade de um novo aumento foi discutida, citando os impactos econômicos da guerra no Irã.
Já o Banco da Inglaterra deixou os juros em 3,75% ao ano, mas alertou que o conflito deve elevar a inflação no curto prazo, o que levou o mercado britânico a apostar em três altas de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.
No Brasil, parte dos agentes passou a considerar a manutenção da Selic em 14,75% na próxima reunião, caso a incerteza global persista. Nos Estados Unidos, as projeções de corte de juros foram postergadas; pelas estimativas da ferramenta FedWatch, do CME Group, não se espera redução até o fim de 2027.