Entre janeiro e agosto de 2025, aproximadamente 455 mil mulheres abandonaram voluntariamente a força de trabalho nos Estados Unidos, segundo estudo da organização Catalyst. O levantamento aponta que o avanço dos gastos com cuidados de crianças e idosos, bem acima do ritmo de crescimento dos salários, é o principal fator por trás dessas saídas.
De acordo com a pesquisa, 42% das entrevistadas mencionaram responsabilidades de cuidado como razão para deixar o emprego, enquanto 37% citaram falta de flexibilidade de horário. Percentuais menores indicaram insatisfação salarial ou incertezas sobre o mercado de trabalho.
A presidente e CEO da Catalyst, Jennifer McCollum, alertou que a combinação de desistências em massa e a ausência de discussões francas sobre o tema pode criar “condições para uma crise no mercado de trabalho”. McCollum ressaltou que as demissões não ocorrem por falta de ambição, mas pela dificuldade de conciliar emprego e cuidados.
Dados do LendingTree, divulgados em novembro de 2025, mostram que, nas 100 maiores áreas metropolitanas dos EUA, o custo médio mensal para cuidar de um bebê é 25,3% menor do que o aluguel de um apartamento de dois quartos. Quando a família possui um bebê e uma criança em idade pré-escolar, a despesa com creche fica 31,5% acima do valor do aluguel.
Nos mercados mais caros, onde a diferença entre cuidados e aluguel é mais ampla, o preço médio de creche chega a US$ 1.996 por mês.
O estudo da Catalyst revela que 18% das mulheres que saíram do trabalho afirmaram não conseguir equilibrar salário, custos de cuidado e falta de flexibilidade. A diretora de pesquisa da entidade, Sheila Brassel, disse que as empresas que desejam recuperar mão de obra feminina precisam implementar políticas tangíveis de apoio — como horários adaptáveis, salários compatíveis e oportunidades de avanço.
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Alguns empregadores e formuladores de políticas argumentam que ampliar a flexibilidade ou criar programas públicos de cuidado elevaria custos para negócios e contribuintes. Entidades como a Câmara de Comércio dos EUA e a Federação Nacional de Negócios Independentes afirmam que novas exigências podem sobrecarregar empresas que já lidam com inflação e falta de trabalhadores.
Dados do Bureau of Labor Statistics indicam que, embora a participação feminina na força de trabalho tenha despencado durante a pandemia de COVID-19 e depois retornado a níveis próximos aos anteriores, os desafios com cuidados continuam a restringir a oferta de trabalhadoras.
Especialistas alertam que, sem mudanças estruturais, a pressão sobre os custos de serviços pode aumentar, aprofundando a escassez de mão de obra e limitando o potencial de crescimento econômico.