Dados alternativos de comportamento ampliam acesso a crédito para endividados

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Modelos que avaliam hábitos de consumo, participação comunitária e rotina financeira começam a abrir caminho para pessoas fora dos critérios tradicionais de crédito, como a confeiteira Edilaine Santos da Silva, 33, moradora de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Com dívida de aproximadamente R$ 10 mil e sem pontuação suficiente nos bancos convencionais, Edilaine vê nos chamados scores comportamental ou social a chance de impulsionar o negócio “Delícias da Edi”. Todas as tardes, ela registra o faturamento — entre R$ 400 e R$ 500 por mês — como forma de comprovar organização financeira.

Crédito analisado pela comunidade

Em Paraisópolis, o G10 Bank, ligado à ONG G10 Favelas, utiliza referências de líderes locais — os “presidentes de rua”, responsáveis por grupos de 50 famílias — para validar pedidos de empréstimo. O comitê criado pela instituição leva em conta fatores como participação em projetos sociais e desempenho escolar dos filhos.

Educação financeira para microempreendedores

O programa Donas de Si, coordenado por Paula Esteves, 44, fundadora do Instituto WorkLover, incentiva empreendedoras da comunidade a separar finanças pessoais das do negócio. O aplicativo “Separadin”, desenvolvido pela organização, facilita o controle de receitas e despesas.

Segundo Paula, misturar contas é uma das principais causas de fechamento de MEIs (microempreendedores individuais). Em 2024, 6,2 milhões de MEIs estavam inadimplentes — 40% dos registros ativos —, principalmente por falta de pagamento do DAS, que reúne INSS, ISS e ICMS. Entre 1,8 milhão de empresas notificadas pela Receita Federal em 2023, 1,1 milhão eram MEIs, acumulando R$ 26,7 bilhões em dívidas.

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Imagem: redir.folha.com.br

Inadimplência recorde e novas métricas

No âmbito pessoal, o Brasil alcançou 70,3 milhões de negativados em abril de 2025, com débito médio de R$ 4,7 mil por pessoa. Para o pesquisador Zhongyuan Xu, da Universidade Emory (EUA), fontes alternativas de dados se tornam vitais porque alcançam variáveis que o histórico financeiro não cobre. Ele assina o estudo “Score de crédito usando dados alternativos: uma máquina de aprendizado”, da Goizueta Business School.

Especialistas citam ainda o uso de inteligência artificial para monitorar mudanças de comportamento, recargas de celular, compras on-line e deslocamentos registrados por sistemas de localização, cruzando essas informações com vendas do comércio.

Perspectiva de mudança

Edilaine, mãe de seis filhos — o mais velho com 18 anos —, deixou um relacionamento abusivo e hoje vende bolos em Paraisópolis, na avenida Ibirapuera e na estação Giovanni Gronchi do metrô. “Quando conseguir crédito, vai ficar muito mais fácil”, afirma, confiante de que os novos critérios lhe concederão a oportunidade que os bancos tradicionais negaram.

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