Dados inéditos da Receita indicam que menos de 1% dos milionários deixam o Brasil por ano

Mercado Financeiro49 minutos atrás6 pontos de vista

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São Paulo – Levantamento obtido pela BBC News Brasil junto à Receita Federal mostra que, embora o número absoluto de contribuintes com renda anual acima de R$ 1 milhão que oficializam saída definitiva do país esteja em alta desde o fim da pandemia, a fatia desses milionários que migra para o exterior permanece abaixo de 1% e vem diminuindo desde 2017.

Como foi feito o levantamento

Os dados foram solicitados via Lei de Acesso à Informação e abrangem declarações de saída definitiva entregues entre 2011 e agosto de 2025. A Receita separou as informações em quatro faixas de renda declarada no ano anterior à migração:

• até R$ 600 mil;
• de R$ 600.000,01 a R$ 1 milhão;
• de R$ 1.000.000,01 a R$ 1 bilhão;
• acima de R$ 1 bilhão.

Para esta apuração, foram classificados como milionários todos os que declararam renda anual superior a R$ 1 milhão.

Números principais

• Em 2025, 1.446 milionários deixaram o país até agosto, cifra 2,5% maior que a registrada em 2024 e a segunda mais alta da série, atrás apenas de 2017 (1.461 saídas).
• Apesar da alta em termos absolutos, a participação dos que mudam de domicílio fiscal não alcança 1% do total de milionários e apresenta tendência de queda desde 2017.
• O pico de saídas ocorreu em 2017, período marcado por recessão, crise política e avanço da Operação Lava Jato.
• Durante a pandemia, os números recuaram e voltaram a subir a partir de 2022.

Debate sobre reforma do Imposto de Renda

A divulgação coincide com a tramitação da reforma do IR na Câmara, que prevê isenção para rendimentos mensais até R$ 5 mil e alíquota progressiva de até 10% para quem recebe mais de R$ 600 mil por ano. O texto inclui ainda:

• taxação de lucros e dividendos distribuídos acima de R$ 50 mil ao mês;
• cobrança de 10% sobre dividendos enviados ao exterior.

Críticos, entre eles o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, afirmam que as mudanças podem reduzir a competitividade do país.

Projeções contestadas

A consultoria Henley & Partners estima que 1,2 mil milionários deixarão o Brasil em 2025, alta de 50% sobre 2024. Especialistas, porém, questionam a metodologia da empresa e consideram os dados oficiais mais confiáveis para medir o fenômeno.

O que dizem os especialistas

Manoel Pires, coordenador do Observatório de Política Fiscal da FGV Ibre, avalia que os números da Receita não sustentam a ideia de uma fuga em massa motivada pelo debate tributário, embora reconheça que existam saídas por outros fatores.

Pedro Humberto Carvalho Junior, pesquisador do Ipea, aponta que países como Argentina, Costa Rica, Emirados Árabes, Espanha, Grécia, Paraguai, Portugal, Reino Unido, Suíça e Uruguai oferecem benefícios fiscais que atraem brasileiros de alta renda. Para ele, a adoção de um “imposto de saída” e o fim da isenção para fundos exclusivos de não residentes poderiam reduzir os incentivos à migração.

Gobetti, também pesquisador do Ipea, reforça a importância de tributar o envio de dividendos ao exterior para evitar que a mudança de domicílio fiscal se torne mais vantajosa.

Regras para perder a residência fiscal

Pela legislação brasileira, quem passa menos de 183 dias, consecutivos ou não, no país dentro de 12 meses pode ser considerado não residente e deixar de pagar imposto sobre rendimentos obtidos no exterior. O Brasil não cobra imposto sobre ganho de capital no momento da mudança de residência, diferentemente de 14 países da OCDE.

Com a discussão sobre a reforma do IR em andamento, os dados oficiais indicam que, por enquanto, a saída de contribuintes de alta renda ocorre, mas em escala limitada em relação ao universo total de milionários brasileiros.

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