WASHINGTON – O déficit do orçamento federal dos Estados Unidos ultrapassou US$ 1 trilhão entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, informou o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês). O valor é 14% — ou US$ 142 bilhões — menor que o registrado no mesmo período do ano fiscal anterior.
Nos cinco primeiros meses do ano fiscal de 2026, o governo federal arrecadou quase US$ 2,1 trilhões, avanço de 11% (US$ 206 bilhões) em relação ao exercício anterior. Segundo o CBO, dois terços desse aumento vieram de:
As receitas com tarifas de importação também se destacaram: US$ 144 bilhões, salto de 308% (US$ 109 bilhões). Parte desse montante poderá ser devolvida após a Suprema Corte considerar inconstitucionais as tarifas aplicadas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A administração Trump prepara tarifas substitutas, que podem enfrentar contestações judiciais.
Por outro lado, a arrecadação de imposto de renda corporativo encolheu 23% (US$ 33 bilhões) devido a deduções ampliadas para investimentos previstas na lei de reconciliação aprovada em 2025.
Os gastos federais totalizaram pouco mais de US$ 3,1 trilhões, aumento de 2% (US$ 64 bilhões) frente ao ano anterior. Entre os principais programas obrigatórios, destacam-se:
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Os custos líquidos com juros sobre a dívida atingiram US$ 433 bilhões, elevação de 8% (US$ 31 bilhões), reflexo do estoque maior de dívida e das taxas de juros mais altas.
Entre os gastos discricionários, o Departamento de Guerra registrou aumento de 4% (US$ 14 bilhões) e o Departamento de Assuntos de Veteranos, de 7% (US$ 11 bilhões). Já a Agência de Proteção Ambiental (EPA) teve queda de 74% (US$ 20 bilhões) porque, no ano anterior, desembolsou valor equivalente em subsídios a energia limpa sem repetição em 2025. O Departamento de Segurança Interna (DHS) gastou 23% menos (US$ 12 bilhões), com menor execução em desastres naturais, parcialmente compensada por maiores gastos em fiscalização migratória.
Com a combinação de despesas superiores a US$ 3,1 trilhões e receitas próximas a US$ 2,1 trilhões, o déficit mantém-se acima da marca de US$ 1 trilhão, sinalizando novo resultado expressivo ao fim do exercício fiscal de 2026.