Caracas – A vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse neste sábado, 3 de janeiro de 2026, como nova chefe do Executivo da Venezuela, um dia depois da operação militar norte-americana que prendeu o então presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores.
Em pronunciamento transmitido pela emissora pública venezuelana, Rodríguez classificou a investida dos Estados Unidos como “agressão militar sem precedentes” e apelou à união dos venezuelanos. Ao lado do irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e dos ministros da Defesa, Vladimir Padrino López, e do Interior, Diosdado de Cabello, ela afirmou que Maduro continua sendo “o único presidente da Venezuela” e descreveu a captura como “sequestro”.
A nova líder declarou que a ação militar teve como objetivo remover o governo chavista e controlar as vastas reservas de petróleo, minerais e outros recursos naturais do país. “As máscaras caíram; querem nossa riqueza”, disse, acrescentando que o episódio representa “mancha terrível” nas relações bilaterais.
Rodríguez reiterou que a Venezuela “não será colônia de nenhum império” e prometeu defender a soberania nacional.
Em Washington, o presidente Donald Trump anunciou que os EUA pretendem administrar provisoriamente a Venezuela até uma “transição segura” de poder. Ele mencionou um grupo que incluirá o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, sem detalhar o funcionamento desse arranjo ou descartar o envio de tropas.
Imagem: Leonardo Fernandez Viloria via valorinveste.globo.com
Maduro e Cilia Flores estão a caminho de Nova York, onde enfrentarão acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas perante a Justiça norte-americana.
Trump indicou abertura para negociar com Rodríguez, mencionando contato prévio entre ela e Rubio. Segundo o presidente norte-americano, a vice venezuelana estaria “disposta a fazer o que for necessário”. Ele também disse que companhias norte-americanas começarão a explorar o petróleo venezuelano.
Rodríguez respondeu que aceita diálogo apenas dentro do direito internacional. “Esse é o único tipo de relação que aceitaremos depois da agressão militar contra nossa nação”, concluiu.