Gigantes de tecnologia atribuem novas demissões a avanços e custos da inteligência artificial

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Demissões em larga escala voltaram a atingir o setor de tecnologia, mas, desta vez, executivos de empresas como Google, Amazon, Meta, Pinterest e Atlassian apontam a inteligência artificial (IA) como principal motivo para os cortes.

Novas justificativas

Até o ano passado, explicações costumavam girar em torno de “eficiência” ou “excesso de contratações”. Agora, CEOs afirmam que os progressos em IA permitem realizar mais tarefas com equipes menores.

Em janeiro, Mark Zuckerberg declarou que “2026 será o ano em que a IA mudará drasticamente a maneira como trabalhamos”. Desde então, a Meta eliminou centenas de posições, das quais 700 ocorreram na semana passada. A companhia, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, pretende quase dobrar os investimentos em IA neste ano; ao mesmo tempo, mantém congelamento de admissões em diversas áreas e prevê novos cortes.

Cortes preventivos

Jack Dorsey, à frente da Block (CashApp, Square e Tidal), anunciou ao acionistas o plano de reduzir quase metade da força de trabalho. “Ferramentas de inteligência mudaram o que significa construir e administrar uma empresa”, disse, acrescentando que queria “se antecipar” ao movimento que, em sua visão, será adotado pela maioria das companhias em até um ano.

Investidores, como Terrence Rohan, observam que mencionar IA soa melhor que alegar simples necessidade de enxugar custos. Segundo ele, startups em seu portfólio já utilizam código gerado por IA entre 25% e 75%, reforçando o risco para vagas de desenvolvedores e engenheiros de software.

Produtividade e sinal ao mercado

Para Anne Hoecker, sócia da consultoria Bain, a narrativa tem fundamento: “As ferramentas estão suficientemente boas para permitir a mesma quantidade de trabalho com bem menos pessoas”.

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Imagem: redir.folha.com.br

Pressão dos investimentos bilionários

Além de ganhos de eficiência, o volume de recursos destinado à IA pressiona as folhas de pagamento. Amazon, Meta, Google e Microsoft planejam investir, em conjunto, US$ 650 bilhões no próximo ano.

Em fevereiro, a Amazon informou que pretende aplicar US$ 200 bilhões nesse campo e continuar buscando “eficiências e reduções de custos” em outras frentes. Desde outubro, a companhia dispensou aproximadamente 30 mil funcionários corporativos.

O Google, que demitiu 12 mil pessoas em 2023 e realizou rodadas menores desde então, reforçou aos investidores, em fevereiro, que redirecionar capital interno para IA é prioridade. A diretora financeira Anat Ashkenazi afirmou que liberar recursos possibilita acelerar projetos voltados a crescimento futuro.

Rohan avalia que as gigantes de tecnologia “jogam um jogo de milímetros”: ajustes marginais de pessoal já ajudam a equilibrar contas. Hoecker concorda e diz que, embora o impacto financeiro imediato das demissões seja limitado, elas demonstram disciplina diante do “custo real e enorme” da corrida pela inteligência artificial.

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