Deposição de Maduro eleva incerteza no mercado de petróleo e pressiona planejamento da Petrobras

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Nicolás Maduro foi retirado do poder na Venezuela durante operação militar norte-americana realizada no último fim de semana, a maior intervenção dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989. O episódio aumentou a tensão geopolítica no setor de petróleo e, mesmo sem atuar em território venezuelano, a Petrobras (PETR4) já avalia possíveis impactos em seu plano de investimentos.

Reserva gigante, produção modesta

A Venezuela detém cerca de 300 bilhões de barris em reservas comprovadas — a maior do mundo —, mas extrai aproximadamente 1 milhão de barris por dia. Segundo Regis Cardoso, especialista em petróleo e gás da XP, o efeito imediato sobre a oferta global é reduzido; contudo, a entrada de capital estrangeiro pode, no médio prazo, elevar a produção de óleo pesado venezuelano.

Reflexo indireto na estatal brasileira

Para a Petrobras, o risco está no preço do barril. Caso a oferta internacional cresça, o valor do petróleo tende a ceder, exigindo maior seletividade nos projetos e disciplina na execução do plano de negócios. Cardoso lembra que os investimentos até 2027 já estão contratados, mas há margem de ajuste a partir de 2028.

Efeito fiscal e para acionistas

A queda de preço reduz a geração de caixa da companhia e a arrecadação de royalties e participações governamentais, fator que afeta tanto o Tesouro Nacional quanto acionistas minoritários.

Desafio técnico bilionário

O óleo venezuelano é pesado e demanda infraestrutura complexa. “Serão necessários investimentos de dezenas de bilhões de dólares para ampliar a produção; só então haverá impacto consistente nos preços internacionais”, afirma Cardoso.

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Imagem: infomoney.com.br

Redistribuição do comércio

Antes concentrada na China, parte das exportações venezuelanas pode migrar para os Estados Unidos, mas sem ruptura relevante no mercado mundial. A influência chinesa tende a permanecer em razão dos financiamentos de longo prazo já concedidos ao país sul-americano.

OPEP distante do tema

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo não mencionou a Venezuela em sua última nota, mantendo inalteradas as metas de produção. Historicamente influente, Caracas perdeu protagonismo nas decisões do grupo diante do declínio de sua produção.

Repercussão regional

Sol Azcune, analista política da XP, avalia que a deposição de Maduro surpreendeu governos vizinhos, como Colômbia e México, que monitoram impactos na segurança e no calendário eleitoral da região.

Apesar de indiretas, as consequências para a Petrobras e para o caixa público entram no radar dos investidores, que acompanham a evolução do cenário venezuelano e seus desdobramentos sobre o preço do petróleo.

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