São Paulo – O dólar começou o pregão desta quarta-feira (4) em queda expressiva, devolvendo parte do avanço registrado no dia anterior, enquanto investidores continuam monitorando a escalada do conflito no Oriente Médio.
Às 9h03, a cotação caía 0,53%, para R$ 5,2360. Na terça-feira (3), a moeda norte-americana havia disparado 1,87%, encerrando a R$ 5,261. No mesmo dia, o Ibovespa recuou 3,27%, ficando em 183.104 pontos.
Bolsas de valores em todo o mundo registraram fortes perdas diante do aumento das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. Na Ásia, o CSI300 perdeu 1,54% e o SSEC, de Xangai, caiu 1,43%. Tóquio recuou 3,1%, enquanto Seul cedeu 7,24%.
Na Europa, o índice paneuropeu Euro STOXX 600 cedeu 3,08%. Entre as principais praças, Frankfurt caiu 3,4%, Londres 2,75%, Paris 3,46%, Madri 4,55% e Milão 3,92%.
Nos Estados Unidos, as baixas foram mais moderadas: Dow Jones (-0,83%), S&P 500 (-0,9%) e Nasdaq Composite (-1,02%).
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o movimento reflete “fuga clássica para ativos considerados seguros”. O índice DXY, que compara o dólar a seis grandes moedas, avançou 0,66% após alta de 0,8% na véspera.
Para Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, o dólar não era utilizado como porto seguro “desde o início de 2025, quando políticas do governo Donald Trump provocaram disrupções”. A intensificação do conflito devolveu protagonismo à divisa, afirma.
A crise ganhou dimensão regional depois que tropas israelenses avançaram posições no Líbano, envolvendo também Arábia Saudita, Qatar e Kuwait. Na segunda-feira (2), o Irã anunciou o fechamento do estreito de Hormuz, rota de 20% do petróleo mundial, enquanto o Qatar paralisou a produção de gás natural liquefeito.
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Com isso, commodities subiram novamente: às 18h de terça (horário de Brasília), o Brent ganhava 4%, negociado a US$ 81 o barril, e o preço do gás natural europeu saltava 22%, depois de ter avançado 40% no dia anterior.
No pregão de terça, praticamente todos os papéis do Ibovespa fecharam no vermelho; exceções ficaram por conta de Braskem (+4%) e Raízen (+3%).
Em segundo plano, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,3% em 2025, abaixo da expansão de 3,4% registrada em 2024. No quarto trimestre, a alta foi de 0,1% ante os três meses anteriores, resultado alinhado à mediana das projeções consultadas pela Reuters.
Para Bezzon, os números reforçam a possibilidade de o Copom acelerar o ritmo de corte de juros na reunião deste mês. O debate agora se concentra entre reduções de 0,25 ou 0,5 ponto percentual.
O analista avalia que o Banco Central pode citar o conflito no Oriente Médio como fator de incerteza externa, mas não vê impacto decisivo sobre a decisão imediata de política monetária.