São Paulo – O dólar iniciou o pregão desta segunda-feira (5) em alta, refletindo a reação dos mercados à invasão dos Estados Unidos à Venezuela e à prisão do presidente Nicolás Maduro realizado na madrugada de sábado (3).
Às 9h06, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,431, avanço de 0,13% em relação ao fechamento da última sexta-feira (2), quando havia recuado 1,24% e encerrado cotada a R$ 5,4198.
No mercado de petróleo, as cotações recuaram até 1,2% na abertura das bolsas asiáticas na noite de domingo (4). Analistas atribuem o movimento à expectativa de aumento na oferta, após o ex-presidente Donald Trump afirmar que companhias dos EUA passarão a comandar a extração no país vizinho.
A Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, mas hoje responde por menos de 1% da produção global. Cerca de 90% das exportações venezuelanas provêm da venda do combustível, tendo a China como principal compradora.
No sábado (3), forças dos EUA bombardearam Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, na maior intervenção militar norte-americana na América Latina em décadas. Maduro é acusado pela Justiça dos EUA de narcotráfico e terrorismo e deve comparecer nesta segunda-feira ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan para ser formalmente notificado.
Em comunicado, Trump declarou que os Estados Unidos administrarão a Venezuela até uma transição de poder e que o petróleo local será explorado por companhias norte-americanas. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou no domingo (4) que Washington pretende usar o controle sobre o petróleo para pressionar por “mudanças adicionais” no país. Segundo fontes ligadas ao setor, a infraestrutura petrolífera venezuelana não foi danificada pelos ataques.
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Além da tensão geopolítica, investidores aguardam nesta semana a divulgação do IPCA de dezembro e do relatório de emprego dos EUA, ambos programados para sexta-feira (9). Os dados devem ajudar o mercado a calibrar projeções para a trajetória dos juros.
Outro ponto de atenção é a definição do sucessor de Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed).
Em 2025, o dólar acumulou queda de 11,19%, a maior desvalorização anual desde 2016, quando cedeu 17,8%. O Ibovespa avançou 33,7% no período, desempenho também não registrado desde 2016. Em dólares, a valorização do índice brasileiro foi a maior em nove anos.
Analistas atribuem os números ao forte ingresso de capital estrangeiro em mercados emergentes, impulsionado pelo corte promovido pelo Fed na faixa de juros dos EUA, de 4,25%-4,5% para 3,5%-3,75% ao ano.