Desde que assumiu o cargo de primeira-ministra em 2022, Giorgia Meloni promoveu uma virada econômica que surpreendeu analistas externos e fez a economia italiana exibir indicadores mais favoráveis que os de Alemanha e França, as duas maiores potências da União Europeia.
De acordo com dados do Trading Economics, o déficit público italiano era de 8,1% do PIB em 2022. Em estimativa para 2023, esse percentual recuou para 3,1%. A inflação, que ultrapassava 12% no fim de 2022, caiu para 1,1% em novembro de 2023. Já o desemprego, que marcava 7,9% em dezembro de 2022, diminuiu para 6% em outubro de 2023.
“A confiança voltou e a economia respondeu”, afirmou Edmondo Cirielli, vice-ministro das Relações Exteriores, ao comentar o desempenho recente. Segundo ele, o país agora combina disciplina fiscal, nível recorde de emprego e um governo considerado confiável pelos mercados internacionais.
Observadores apontam semelhanças entre as ações de Meloni e as reformas de corte liberal implementadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan em 1981. Cirielli destaca que a líder italiana manteve suas convicções originárias, mas as adequou à responsabilidade de governar e ao diálogo internacional.
Para o economista Daniel Lacalle, da gestora Tressis, a base de apoio à primeira-ministra cresceu porque ela enfrentou “uma crise social e econômica provocada pelo aumento da imigração ilegal”, problema que, segundo ele, havia sido negligenciado por governos anteriores.
Nem todos, porém, compartilham o otimismo. Marc Chandler, estrategista-chefe do Bannockburn Global Forex, ressalta que o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade podem limitar o avanço de longo prazo. “A escassez de nascimentos pesa nas projeções de crescimento”, avaliou.
Chandler também questiona a dependência dos recursos europeus destinados à Itália. Ele teme que o ritmo de expansão diminua caso o fluxo financeiro do bloco seja reduzido.
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Cirielli rebate. Para ele, os fundos da União Europeia têm papel de apoio, mas não explicam todo o resultado: “O Plano Marshall só funcionou porque havia governos capazes de usar o dinheiro de forma eficaz. É isso que acontece hoje. Recursos devem ser tratados como investimento em infraestrutura, inovação e empregos”.
Consciente do desafio populacional, o governo concentra políticas em taxa de natalidade, emprego e suporte às famílias. Cirielli lembra que, após a Segunda Guerra Mundial, o baby boom alavancou o chamado milagre econômico italiano das décadas de 1950 e 1960, sustentando o sistema de bem-estar por décadas.
Quanto a eventuais saídas da Itália da União Europeia, o vice-ministro descarta a possibilidade. Ele compara a situação ao papel dos Estados Unidos na OTAN: “Em vez de deixar quando algo não funciona, escolhem liderar e reformar por dentro. Meloni aplica o mesmo princípio à União Europeia”.
A trajetória recente da economia italiana, marcada por ajustes fiscais e queda rápida da inflação, segue atraindo atenção internacional enquanto o governo busca consolidar o crescimento e enfrentar desafios estruturais como demografia e produtividade.