Economista aponta acordo Mercosul-União Europeia como primeiro passo para reinserção global do Brasil

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São Paulo – Após mais de duas décadas de negociações, o entendimento comercial entre Mercosul e União Europeia é visto pela economista Deborah Bizarria como um marco para reduzir o isolamento do Brasil no comércio mundial.

Segundo Bizarria, formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em gestão pública pelo Insper, o país manteve por décadas uma política de substituição de importações que “se cristalizou” em barreiras tarifárias elevadas e baixa inserção nas cadeias globais de valor.

Tarifas altas e pouca participação no comércio exterior

Dados do Banco Mundial mostravam que, em 2022 e 2023, o Brasil figurava entre as economias de renda média com maior proteção tarifária sobre bens industrializados, superando Chile, México e Colômbia. No mesmo período, informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicavam que menos de 1% das empresas formais brasileiras exportavam.

Benefícios esperados

Na avaliação da economista, o acordo amplia o acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores, diminui incertezas regulatórias e pode estimular a integração produtiva. Para o consumidor, a expectativa é de mais concorrência e variedade de produtos; para as empresas, especialmente as que dependem de insumos e tecnologia, a perspectiva é de custos inferiores e maior previsibilidade.

Ajustes necessários

Relatório do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), assinado por Sandra Rios e Pedro da Motta Veiga, citado por Bizarria, destaca que o tratado deve ser encarado como ponto inicial de uma agenda mais ampla. Entre as medidas sugeridas para suavizar eventuais perdas estão programas de formação e requalificação profissional, facilidades de crédito e apoio à difusão tecnológica para pequenas e médias empresas.

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Imagem: redir.folha.com.br

Bizarria ressalta que, em um cenário de resultados negativos de políticas protecionistas em outras economias, o Brasil pode aproveitar o momento para se alinhar a coalizões pró-integração. “Há espaço para encarar a abertura como projeto de desenvolvimento”, afirma.

A assinatura formal do acordo ainda depende de ratificação pelos Parlamentos dos países do Mercosul e do bloco europeu.

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