Embrapa reabre escritório na Etiópia e aposta na exportação de tecnologia agrícola

Mercado Financeiro23 horas atrás8 Visualizações

São Paulo – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) volta a ter presença física no continente africano nesta sexta-feira (6) com a inauguração de um escritório de representação em Adis Abeba, capital da Etiópia, após uma década sem unidades na região.

A retomada integra a estratégia de internacionalização da estatal, que engloba acordos, convênios e troca de conhecimentos em diferentes países. Segundo a presidente Silvia Massruhá, o objetivo é ampliar a venda de tecnologias desenvolvidas para a agricultura tropical, além de insumos, máquinas e equipamentos produzidos no Brasil.

Retomada no exterior

Nos últimos anos, restrições orçamentárias e mudanças na lei das estatais limitaram a atuação da Embrapa fora do país. Agora, além do novo escritório na Etiópia, a empresa reativa os Laboratórios Virtuais (Labex) na França e nos Estados Unidos e reforça parcerias com instituições estrangeiras.

Foco em capacitação e licenciamento

Na África, os primeiros projetos envolverão capacitação de técnicos em manejo de solo, bioinsumos, pecuária, agricultura digital e aplicações de inteligência artificial. Os recursos podem vir de licenciamento de tecnologias ou de organismos de fomento, como o Banco Mundial e a Fundação Gates.

Para Massruhá, a cooperação não representa entrega gratuita de conhecimento. Ela defende que o Brasil aproveite a demanda internacional para diversificar as exportações, passando de fornecedor de commodities a vendedor de tecnologia agrícola.

Parcerias regionais

Entre os acordos em curso:

Embrapa reabre escritório na Etiópia e aposta na exportação de tecnologia agrícola - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

  • Angola – Projeto conjunto com o Instituto de Investigação Agronômica.
  • Moçambique – Acesso aos cursos online da plataforma e-Campo.
  • Marrocos – Pesquisa em fertilizantes e bioinsumos, além de intercâmbio de cientistas.
  • Egito – Cooperação no desenvolvimento de cultivares de algodão.
  • Japão – Estudos sobre recuperação de pastagens e manejo de água no cerrado, além de agricultura de precisão.
  • China – Projetos de biotecnologia, edição gênica, sequestro de carbono e padronização de métricas de emissões.
  • Coreia do Sul – Reativação do convênio com a Rural Development Administration (RDA).
  • Índia – Parceria com o Indian Council of Agricultural Research (ICAR) para melhoramento de gado leiteiro.
  • Emirados Árabes Unidos – Participação em hub de inteligência artificial aplicada à agricultura.
  • Arábia Saudita – Negociações sobre tecnologias adaptadas ao semiárido.
  • República Dominicana, América Central e Caribe – Tradução de cursos e possível hub da Embrapa no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Costa Rica.

Diferenças de estágio

A presidente da Embrapa ressalta que muitos países africanos concentram-se na segurança alimentar interna, enquanto o Brasil busca expandir sua participação no mercado global de alimentos. Mesmo assim, ela afirma ser necessária a continuidade de investimentos em pesquisa para manter a liderança brasileira, sob risco de perda de protagonismo nas próximas décadas.

Com 43 centros de pesquisa, a Embrapa aposta que a exportação de conhecimento gerará demanda por produtos e serviços da indústria nacional, criando um mercado “imenso” para fabricantes brasileiros de insumos e equipamentos agrícolas.

A expansão internacional, segundo Massruhá, reforça a imagem do Brasil como referência em agricultura tropical sem repetir modelos de ocupação de áreas adotados há 50 anos, priorizando práticas sustentáveis.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...

Todos os campos são obrigatórios.