São Paulo – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) volta a ter presença física no continente africano nesta sexta-feira (6) com a inauguração de um escritório de representação em Adis Abeba, capital da Etiópia, após uma década sem unidades na região.
A retomada integra a estratégia de internacionalização da estatal, que engloba acordos, convênios e troca de conhecimentos em diferentes países. Segundo a presidente Silvia Massruhá, o objetivo é ampliar a venda de tecnologias desenvolvidas para a agricultura tropical, além de insumos, máquinas e equipamentos produzidos no Brasil.
Nos últimos anos, restrições orçamentárias e mudanças na lei das estatais limitaram a atuação da Embrapa fora do país. Agora, além do novo escritório na Etiópia, a empresa reativa os Laboratórios Virtuais (Labex) na França e nos Estados Unidos e reforça parcerias com instituições estrangeiras.
Na África, os primeiros projetos envolverão capacitação de técnicos em manejo de solo, bioinsumos, pecuária, agricultura digital e aplicações de inteligência artificial. Os recursos podem vir de licenciamento de tecnologias ou de organismos de fomento, como o Banco Mundial e a Fundação Gates.
Para Massruhá, a cooperação não representa entrega gratuita de conhecimento. Ela defende que o Brasil aproveite a demanda internacional para diversificar as exportações, passando de fornecedor de commodities a vendedor de tecnologia agrícola.
Entre os acordos em curso:
Imagem: redir.folha.com.br
A presidente da Embrapa ressalta que muitos países africanos concentram-se na segurança alimentar interna, enquanto o Brasil busca expandir sua participação no mercado global de alimentos. Mesmo assim, ela afirma ser necessária a continuidade de investimentos em pesquisa para manter a liderança brasileira, sob risco de perda de protagonismo nas próximas décadas.
Com 43 centros de pesquisa, a Embrapa aposta que a exportação de conhecimento gerará demanda por produtos e serviços da indústria nacional, criando um mercado “imenso” para fabricantes brasileiros de insumos e equipamentos agrícolas.
A expansão internacional, segundo Massruhá, reforça a imagem do Brasil como referência em agricultura tropical sem repetir modelos de ocupação de áreas adotados há 50 anos, priorizando práticas sustentáveis.