NOVA YORK, 3 de junho de 2025 – Grandes companhias norte-americanas vêm reduzindo, ou pelo menos tornando menos públicas, suas iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
Logo após reassumir o cargo, Trump assinou a ordem executiva 14173, batizada de “Ending Illegal Discrimination and Restoring Merit-Based Opportunity”. O texto determina que chefes de todos os departamentos e agências federais combatam “preferências e programas” de DEI no setor privado considerados ilegais.
Levantamento da Gravity Research, divulgado em novembro, analisou mais de 1.000 documentos corporativos produzidos entre janeiro de 2023 e maio de 2025 por empresas da Fortune 100. O estudo detectou recuo de 98% na menção à sigla “DEI” nesses materiais.
Outro dado da consultoria indica que, após a posse, 40 corporações anunciaram mudanças públicas em suas políticas de diversidade.
A Conference Board apurou que, nos maiores grupos empresariais dos Estados Unidos, o uso da expressão “DEI” caiu 68% nos registros enviados em 2025, na comparação com 2024. Segundo o mesmo relatório, 33% das companhias deixaram de empregar o termo “equidade” e 53% das integrantes do S&P 100 alteraram a forma de comunicar esforços de diversidade em seus relatórios anuais.
Os analistas observam que muitos projetos de inclusão seguem ativos, porém agora são apresentados de maneira mais discreta ou sob novos rótulos.
Imagem: Elizabeth Heckman via foxbusiness.com
Para Jennifer Sey, ex-ginasta olímpica e presidente-executiva da marca esportiva XX-XY Athletics, a retração é bem-vinda. Ela avalia que a atenção “excessiva” a treinamentos de diversidade e a processos seletivos que priorizam critérios além do mérito pode prejudicar resultados financeiros. Na sua leitura, equipes de liderança estariam “aliviadas” por voltar o foco ao desempenho e à lucratividade.
Sey citou a campanha da Bud Light com a influenciadora trans Dylan Mulvaney, em 2023, como exemplo de ação de marketing que enfrentou forte rejeição do público. Após críticas, a marca passou a apostar em peças mais tradicionais, como o comercial do último Super Bowl com Peyton Manning, Post Malone e Shane Gillis.
Outras gigantes, como Target e Anheuser-Busch, foram procuradas para comentar o assunto, mas não responderam até o fechamento desta edição.