Dos 36 nomes que recorreram a empréstimos investigados pela Polícia Federal junto ao Banco Master, 23 operam em segmentos ligados a imóveis, construção, hotelaria ou urbanismo. Os valores captados foram direcionados, segundo a PF, aos fundos DMais e Bravo, administrados pela gestora Reag e suspeitos de inflar ativos com créditos de difícil recuperação.
No total, R$ 10,405 bilhões seguiram para o fundo DMais e outros R$ 8,379 bilhões para o Bravo. A operação motivou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e levou o Banco Central a decretar a liquidação da instituição.
Entre as companhias do ramo imobiliário estão Malibu Construtora e Incorporadora, R2 Holding, Revee Real Estate Venues & Entertainment Participações, RMEX Construtora e Incorporadora, S&J Consultoria e Incorporação, Resort do Lago Caldas Novas, SI 02 Empreendimentos e Incorporações Imobiliárias, Mirante Investimentos Imobiliários, Super Empreendimentos e Participações, Tavira Empreendimentos Imobiliários e W 50 Empreendimentos Imobiliários.
Também figuram na lista Bloko CP, Bloko Urbanismo, Brain Realty Consultoria e Participações, BTG Empreendimentos e Locações e Serviços, CRL SPE I Empreendimentos e Participações, CRL SPE X Empreendimentos e Participações, FDC Empreendimentos, Administração e Participação, Gran Viver Urbanismo, WAM Hotéis e Resorts, WAM Hotéis Multipropriedade e Lever Securitizadora.
A Lever atua na emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), títulos legítimos que, segundo especialistas, podem ser alvo de fraudes caso o lastro apresente falhas.
As outras 13 empresas envolvidas são BMQ Mirage Comercial Exportadora e Importadora, Calisto Empreendimentos e Participações, Daus Indústria de Alimentos, EBN Comércio, Importação e Exportação, Gran Carnes Indústria e Comércio de Carnes, Griffood Brasil Alimentos, iFly Brazil Indoor Skydiving, Lorde Participações, MKS Soluções Integradas, Redevco Capital Partners, Renogrid Energia, Revolution do Brasil Adaptação Veicular e RKO Alimentos.
A Brain Realty Consultoria e Participações, com capital social de R$ 2 milhões, tomou quase R$ 500 milhões no Master. O montante não permaneceu na empresa: foi aplicado diretamente nos fundos geridos pela Reag, configurando, segundo a PF, parte do esquema.
Imagem: redir.folha.com.br
Antes de controlar o Banco Master, Daniel Vorcaro atuou por oito anos no Grupo Multipar, da família, focado em gestão e aquisição de ativos imobiliários em Belo Horizonte.
A Folha contatou todas as 36 empresas na sexta-feira (17). Diversas não mantêm presença na internet; em vários casos, os emails cadastrados no CNPJ se repetem, alguns pertencentes à própria Reag, como ocorreu com Revee e Redevco.
Daus Alimentos informou ter encerrado em outubro de 2023 seus investimentos nos fundos da Reag após a Operação Carbono Oculto e afirmou estar disponível para esclarecimentos. A iFly declarou não ter vínculo com o Banco Master nem com a Reag Trust DTVM. A Lever Securitizadora disse não receber nem conceder empréstimos, limitando-se à estruturação de CRIs e CRAs lastreados em créditos reais. A Revolution do Brasil reconheceu financiamentos no mercado, mas negou operações em aberto com o Master. A WAM, de hotelaria e incorporação, também refutou envolvimento em irregularidades.
A Comissão de Valores Mobiliários afirmou acompanhar as movimentações no mercado de capitais e tomar providências quando necessário, mas não comenta casos específicos.