São Paulo – O economista Samuel Pessôa afirmou, em coluna publicada nesta segunda-feira (26), que o percentual da renda das famílias comprometido com dívidas subiu de 28% no fim de 2022 para 29% atualmente, apesar das medidas federais voltadas à renegociação de débitos e da melhora recente dos indicadores de emprego e renda.
Pessôa, pesquisador do BTG Pactual e do FGV Ibre, lembra que o governo lançou o Desenrola Brasil no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa renegociou R$ 52 bilhões em passivos de consumidores negativados. No mesmo período, foi criado um teto para o juro do crédito rotativo: o montante cobrado não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida, regra inspirada no modelo britânico.
De acordo com o economista, a conjuntura favorece os lares brasileiros. Nos últimos três anos:
Ainda assim, o comprometimento da renda aumentou. Para Pessôa, o fenômeno pode estar ligado ao risco moral: a expectativa de novos programas de renegociação estimularia a tomada de empréstimos adicionais, à semelhança dos Refis tributários.
Imagem: redir.folha.com.br
Durante evento em Goiás, Lula reconheceu o endividamento elevado e diferenciou “dívidas boas”, associadas à compra de patrimônio, de débitos de consumo. “A gente tem que ir fazendo a dívida, sempre olhando aquilo que a gente vai pagar com aquilo que a gente ganha”, disse o presidente. Ele alertou para pequenos gastos via celular que, somados, comprometem o orçamento mensal.
Pessôa conclui que o alto nível de dívidas, aliado ao baixo crescimento da produtividade observado por ele em colunas anteriores, evidencia limites do modelo de governo baseado em tributação e redistribuição sem atenção aos incentivos econômicos.