São Paulo – A Enel Distribuição São Paulo encaminhou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um parecer jurídico do advogado Marçal Justen Filho afirmando que o blecaute ocorrido em dezembro de 2025 não pode ser considerado no processo de caducidade instaurado em outubro de 2024 contra a concessionária.
No ofício, a empresa solicita que o processo seja remetido à Procuradoria da Aneel para manifestação sobre o documento. Segundo Justen Filho, há “impedimento legal” para incluir no mesmo procedimento eventos que aconteceram mais de um ano após a abertura do caso, o que exigiria uma investigação específica sobre o apagão de 2025.
O parecer também destaca que a agência reconheceu a apresentação, dentro do prazo de 90 dias previsto no processo de 2024, de um plano de recuperação da Enel para reduzir falhas na distribuição. De acordo com o jurista, as medidas implementadas diminuíram as ocorrências, motivo pelo qual o processo deveria ter sido encerrado. “Não se pode culpar a Enel por falta de providências para reduzir os danos de eventos climáticos extremos”, afirma.
Na semana passada, a Aneel concluiu a avaliação sobre o desempenho da concessionária durante o apagão de 2025 e considerou o resultado insatisfatório. O relatório foi encaminhado ao diretor Gentil Nogueira, responsável por votar se os acontecimentos de 2025 serão ou não incorporados à análise de eficiência no âmbito da caducidade.
Dados da própria Enel indicam que 4,4 milhões de pessoas ficaram sem energia na região metropolitana de São Paulo após as fortes chuvas de dezembro de 2025, mais que o triplo do número inicialmente divulgado. Em 2024, os apagões atingiram 2,4 milhões de clientes.
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A dimensão da crise de 2025 provocou reação conjunta do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes e do governo federal, que atribuíram responsabilidade à concessionária e pediram celeridade à Aneel no processo de caducidade.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enviou ofício ao regulador solicitando abertura de procedimento administrativo para apurar falhas da Enel ou recomendação pela cassação da concessão. No documento, o ministério listou comunicações feitas à Aneel em 2023, 2024 e 2025 cobrando fiscalização sobre a distribuidora.