Erosão do petrodólar fortalece tese do Bitcoin como reserva de valor, afirma CIO da Hashdex

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A fragilidade do chamado petrodólar, somada à desvalorização da moeda norte-americana e ao esforço de bancos centrais para acumular reservas não soberanas, cria o ambiente mais favorável já visto para o Bitcoin, segundo Samir Kerbage, sócio-fundador e diretor de investimentos da gestora Hashdex.

O executivo apresentou sua análise no episódio 182 do programa Outliers InfoMoney, conduzido por Clara Sodré, analista de fundos da XP, e por Fabiano Cintra, responsável pela seleção de fundos. Engenheiro de computação formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Kerbage tem mais de 15 anos de experiência em infraestrutura de mercados financeiros e trading quantitativo.

“Regra do jogo está mudando”

Para Kerbage, o enfraquecimento do acordo informal que, desde a década de 1970, vinculava a comercialização de petróleo ao dólar ― em troca da proteção militar dos Estados Unidos ― representa uma ruptura de paradigma. “Os participantes estão se reorientando e a demanda por uma reserva de valor não soberana, que não dependa de governos, está cada vez maior”, afirmou.

Na avaliação do gestor, esse cenário favorece dois ativos: ouro e Bitcoin. Ele mencionou, porém, movimentos distintos de Estados Unidos e China. De um lado, Washington manteria uma “reserva estratégica” da criptomoeda; de outro, Pequim acumularia ouro, sem transparência sobre o volume adquirido. Kerbage sugeriu que haja um incentivo geopolítico norte-americano para promover o Bitcoin e, ao mesmo tempo, reduzir a atratividade do metal precioso, de forma a pressionar a estratégia chinesa.

Do risco à consolidação

Desde sua fundação, em 2018, a Hashdex defende que o Bitcoin é uma reserva de valor digital emergente. Kerbage ressalta, contudo, que o ativo ainda se comporta como investimento de risco, com correlação maior ao índice Nasdaq 100 do que ao ouro, justamente porque bancos centrais ainda não passaram a comprá-lo de maneira institucional.

A gestora trabalha com a hipótese de evolução gradual: ao longo dos próximos anos ou décadas, o Bitcoin poderia migrar de ativo emergente para reserva de valor consolidada. “A grande pergunta é em quanto tempo isso vai acontecer ― se em cinco, dez ou cinquenta anos”, disse. Quando esse processo se completar, a expectativa de forte valorização deixaria de existir, aproximando a criptomoeda de um perfil similar ao do ouro.

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Imagem: infomoney.com.br

Bitcoin x altcoins

Kerbage também diferenciou o Bitcoin das demais criptomoedas. Enquanto a primeira carrega a narrativa de escassez e independência monetária, as chamadas altcoins, segundo ele, devem ser analisadas principalmente como apostas tecnológicas, sem a mesma tese de reserva de valor.

Origem e trajetória

Criado em 2009 sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto, o Bitcoin surgiu em resposta à crise financeira mundial de 2008. A primeira transação da rede incluiu uma manchete sobre o segundo resgate a bancos britânicos, sinalizando o propósito de oferecer dinheiro digital sem intermediação de bancos centrais. Com oferta limitada a 21 milhões de unidades, o ativo passou de curiosidade de nicho a mercado trilionário em 16 anos, integrando portfólios institucionais e ganhando relevância no debate geopolítico.

Para Kerbage, esse contexto — agora impulsionado pela perda de vigor do petrodólar — pode acelerar a consolidação do Bitcoin como reserva de valor global.

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