A intensificação do confronto entre Estados Unidos e Irã, com reflexos sobre Israel e outros países do Oriente Médio, provocou forte aversão ao risco nos mercados globais. Analistas ouvidos pelo InfoMoney afirmam que a melhor resposta do investidor é manter a calma, reforçar a diversificação e preservar liquidez, sem decisões precipitadas.
Após os ataques mais recentes, bolsas internacionais recuaram e o CBOE Volatility Index (VIX) – termômetro de nervosismo em Chicago – chegou a saltar mais de 15%, reduzindo o ganho a cerca de 6% horas depois. Ao mesmo tempo, ativos considerados porto seguro avançaram: o ouro se valorizou, o dólar ganhou força e o petróleo acumulou alta próxima de 8% no período.
Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, o maior erro é reagir emocionalmente à oscilação de curto prazo. Conflitos geopolíticos elevam prêmios de risco em juros, câmbio e ações, mas nem sempre comprometem valor estruturante. “A preservação do patrimônio depende mais de diversificação real, exposição internacional e liquidez suficiente para evitar venda forçada”, observa.
A recomendação passa por reduzir concentração em risco local, priorizar empresas com geração de caixa previsível, baixa alavancagem e capacidade de repasse de preços. Renda fixa de qualidade, posições dolarizadas e ativos naturalmente protegidos contra choques externos completam o cardápio defensivo.
Perdas momentâneas em títulos prefixados ou atrelados à inflação não alteram o cenário para quem carrega o papel até o fim. Segundo os especialistas, o investidor deve evitar resgates motivados apenas pela marcação a mercado.
O mercado de ações costuma sofrer no início de crises, principalmente setores cíclicos e empresas altamente endividadas. Conforme a visibilidade melhora, preços voltam a refletir fundamentos. Para Maria Levorin, da Multiplica Crédito e Investimento, quedas motivadas por medo – e não por deterioração operacional – podem abrir oportunidades para quem pensa no médio e longo prazo.
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Historicamente, capital migra para dólar, ouro, títulos soberanos e empresas vinculadas a energia e commodities. Marcelo Karvellis, da SWM Multi Family Office, lembra que posições em ouro ou papéis de produtoras de petróleo funcionam como proteção, assim como operações táticas no VIX.
Se o petróleo permanecer caro por tempo prolongado, a pressão inflacionária pode limitar cortes de juros em várias economias. Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, ativos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs de instituições sólidas, são alternativas conservadoras em cenários de incerteza.
Manter a racionalidade, reduzir alavancagem e ajustar tamanhos de posição são pontos ressaltados por analistas como Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, e João Daronco, da Suno Research. Ambos destacam que, ao tentar antecipar manchetes, o investidor costuma perder mais dinheiro do que durante a própria crise.
Em síntese, a orientação predominante é atravessar a turbulência preservando capital, mantendo carteira diversificada e liquidez adequada, para aproveitar oportunidades que costumam surgir quando a incerteza diminui.